Curitiba faz parte do seleto grupo de cinco municípios brasileiros – de um total de 5.564 – que, em 2006, concentravam um quarto da renda gerada no País. Com percentual de 1,4% dividia com Belo Horizonte (MG) o mesmo patamar, no qual o principal era São Paulo, com 11,9% seguido do Rio de Janeiro (RJ) 5,4% e Brasília, 3,8%.

Além disso, numa análise mais ampla, 50 cidades, onde residiam mais de 30% da população brasileira, eram responsáveis pela metade de toda a riqueza produzida no País.

Por outro lado, os 1.359 municípios que ocupavam a base da pirâmide, na última faixa de participação relativa do Produto Interno Bruto (PIB), respondiam por 1% de toda a geração de renda e concentravam 3,4% da população.

Os dados fazem parte da pesquisa Produto Interno Bruto dos Municípios Brasileiros 2003-2006, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o estudo, o Paraná perdeu participação no cômputo geral do País nos três principais setores avaliados. Na agropecuária, por exemplo, a participação caiu de 8,91% para 8,87% (-0,04 ponto percentual); na indústria, a participação passou de 6,20% para 5,94% (queda de 0,26 ponto percentual); em serviços, queda de -0,08 pontos (de 5,68% para 5,60%).

O valor adicionado em razão destas reduções na participação geral, caiu de 6,02% para 5,88% (menos 0,14 ponto percentual). Desde 2003 Curitiba e Belo Horizonte se alternam na quarta e quinta posição na participação do PIB nacional.

Em 2005, Curitiba estava em 4.º lugar e aparece em 5.º lugar em 2006 (com PIB total de R$ 32,1 bilhões e per capita de R$ 17.977 superando o PIB per capita nacional de R$ 12.688).

Em 2006, apenas cinco municípios geraram aproximadamente 25% de toda a renda do Sul: Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Joinville (SC), Canoas (RS) e Caxias do Sul (RS). Aproximadamente 50% de toda a renda da região Sul vinha de 27 municípios.

De acordo com o documento, “esses números mostram a concentração da geração interna da renda e também a difusão espacial na produção da riqueza”. Trata-se de uma realidade que, quando comparada à do ano de 2002, manteve-se praticamente inalterada.

Naquele ano, apenas quatro municípios já agregavam 25% do PIB e 48 municípios eram responsáveis por metade da renda gerada no País. O estudo também aponta que o conjunto de capitais brasileiras representavam 34,4% da renda nacional, com destaque para a região Sudeste (19,4%), seguida pelo Centro-Oeste (5,1%), Nordeste (4,5%), Sul (2,9%) e Norte (2,5%).

Outro dado revelado pelo levantamento confirma as disparidades da distribuição da renda: os 10% dos municípios com maior PIB em 2006 chegavam a gerar 24,4 vezes mais riqueza do que os 50% dos municípios com menor PIB.

Quando se observam apenas as Regiões Norte e Nordeste, o modelo se repete. Na maioria dos estados, os cinco maiores municípios concentravam mais do que a metade do PIB estadual.

Já no Sudeste, embora não se tenha verificado padrão específico, os cinco maiores municípios do Espírito Santo e do Rio de Janeiro concentravam mais de 65% do PIB de seus estados. Nas regiões Sul e Centro-Oeste essa concentração era bem menor, exceto em Mato Grosso do Sul (55,3%).

O estudo revela ainda que os cinco municípios de menor PIB em 2006 foram: São Félix do Tocantins (TO), Quixabá (PB), Olha d’Água do Piauí (PI), São Miguel da Baixa Grande (PI) e Santo Antônio dos Milagres (PI). Juntos, eles respondiam, em 2006, por 0,001% do PIB total do País.

Regiões de influência

Os cinco anos da série do PIB dos Municípios também foram analisados segundo as Regiões de Influência das Cidades, que consistem em 12 redes urbanas comandadas pelas metrópoles de São Paulo (cuja rede é a maior do País e inclui 1.120 municípios), Rio de Janeiro, Brasília, Manaus, Belé,m, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia e Porto Alegre.

Ficaram praticamente estáveis as participações no PIB nacional da rede de Curitiba (9,8% em 2002 e 9,7% em 2006); Goiânia (2,9% e 2,8%); Belém (2,1% e 2,0%) e Salvador (4,8% e 4,7%). A rede de Recife manteve inalterada sua participação em 4,8%.

Houve redução na participação no PIB nacional, em relação a 2002, em Porto Alegre (10,0% para 9,6%) e aumentos na rede de Belo Horizonte (7,2% para 7,6%), Fortaleza (4,4% para 4,6%) e Manaus (1,6% para 1,8%).

Nove municípios do Estado entre os 100 maiores


AEN

Além de Curitiba, mais oito municípios paranaenses figuram no ranking das 100 maiores economias do País, conforme os dados divulgados ontem pelo IBGE. Na lista, relativa ao Produto Interno Bruto dos municípios no ano de 2006, constam Curitiba (na 5.ª posição), Araucária (37.ª), São José dos Pinhais (43.ª), Londrina (48.ª), Foz do Iguaçu (63.ª), Maringá (65.ª), Ponta Grossa (79.ª), Paranaguá (82.ª) e Cascavel (99.ª).

A participação dos municípios paranaenses entre as 100 maiores economias é superior à participação do Rio Grande do Sul, que tem sete municípios no ranking, e de Santa Catarina, que integra a lista com quatro municípios.

“A economia de Curitiba caracteriza-se pela diversificação industrial e dos serviços, Araucária apresenta importante participação econômica da indústria petroquímica e São José dos Pinhais tem como uma de suas principais atividades a fabricação de veículos automotores”, diz Júlio Suzuki, pesquisador do Núcleo de Conjuntura do Ipardes.

Ainda de acordo com o pesquisador, os municípios do interior paranaense que integram o ranking das maiores economias apresentam, em suas estruturas produtivas, importantes participações dos serviços, assim como das atividades industriais ligadas ao agronegócio. A exceção fica por conta de Foz do Iguaçu, com grande importância econômica da produção deenergia elétrica.

Em relação ao PIB per capita, lideram em nível estadual os municípios de Araucária, com renda de R$ 71,3 mil por habitante, e Carambeí, cujo PIB per capita atingiu o valor de R$ 32,6 mil em 2006, em razão principalmente do dinamismo da agroindústria.