Anderson Tozato / O Estado do Paraná
Álcool e gasolina puxaram
a alta dos preços na capital.

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês de agosto em Curitiba foi a maior do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice ficou em 1,38%. Na média nacional os preços subiram 0,69%. Em julho, o indicador no País apurou alta de 0,91%, a maior taxa desde abril do ano passado. A menor variação ocorreu em Salvador (0,26%). São Paulo e Rio de Janeiro tiveram alta de 0,57% e 1,09%, respectivamente.

No acumulado de janeiro a agosto a inflação em Curitiba já chegou a 7,65%, bem superior ao índice nacional que ficou em 5,14%. “Já era esperado que a inflação em Curitiba ficasse mais alta que o restante do Brasil este ano. No ano passado a inflação foi bem baixa, pois a energia não subiu em julho, como no restante do Brasil, e sim somente em janeiro e com índice menor. O aumento na água e no esgoto que normalmente é feito em dezembro, também só aconteceu em janeiro”, explicou o economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Sandro Silva. Os preços monitorados, principalmente os combustíveis, foram os principais responsáveis pela alta da inflação na capital paranaense.

Apesar da menor pressão sobre os preços, nos oito primeiros meses deste ano o IPCA já atingiu 5,14%. Ou seja, a meta de inflação para 2004, de 5,5%, já foi praticamente consumida. No entanto, como a meta tem um intervalo de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo, o Banco Central, que mexe nos juros para controlar a inflação, ainda aposta que irá cumpri-la.

O mercado compartilha da opinião do BC. Segundo pesquisa realizada semanalmente com as instituições financeiras, o IPCA deve atingir 7,29% – ou seja, ficando dentro da margem de erro que permite que o índice chegue a até 8% sem afetar a credibilidade do BC.

Analistas já esperavam uma redução do IPCA em agosto. A menor pressão sobre os preços só não foi maior devido à forte alta de 11,49% do álcool combustível. Em julho, o resultado foi impulsionado pelas tarifas públicas, com os reajustes de energia elétrica e telefonia fixa. Para agosto, a expectativa era de que o impacto dos reajustes fosse menor.

O levantamento do IBGE é realizado em São Paulo, Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Brasília, Goiânia, Fortaleza e Belém.

O índice se refere a preços de produtos e serviços consumidos por família com rendimento de 1 a 40 salários mínimos.

O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), considerado uma prévia do IPCA, já apontava uma redução no índice oficial de inflação. Depois de avançar 0,93% em julho, o indicador apurou alta de 0,79% em agosto.

A menor pressão dos combustíveis, a desaceleração dos preços dos alimentos e a queda no ritmo de alta dos vestuários amorteceram os aumentos das tarifas públicas.

Preços administrados puxaram o índice

A alta da inflação em Curitiba foi puxada pelos preços administrados por contrato e monitorados. Ontem, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos e o Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR) divulgaram a pesquisa mensal sobre esses preços, que mostrou uma alta de 1,56% no mês de agosto. No acumulado do ano (janeiro a agosto) o índice chegou a 12,13%, enquanto no acumulado dos últimos doze meses chegou a 14%.

Os preços monitorados acumularam bem mais que os índices que medem a inflação nos últimos doze meses. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 7,65%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) foi de 8,07%. O custo médio dos serviços públicos para uma família curitibana (casal e dois filhos) em agosto ficou em R$ 458,72.

Os serviços que tiveram maior variação de julho para agosto em Curitiba foram o álcool (22,44%), a gasolina (8,17%), táxi (1,88%) e pedágio (1,56%). “A estimativa é que os índice dos preços monitorados fique estável no próximo mês. Alguns dos índices devem subir, mas em compensação os que subiam este mês devem se manter”, revelou o economista do Dieese, Sandro Silva.

Silva disse que os preços monitorados vêm puxando gradativamente a inflação para cima. “No ano passado eles representaram um terço da inflação. Em julho de 94 representavam 16% da inflação, em dez anos dobraram e representam 32% hoje”, contou Silva.

Combustíveis

O Dieese analisou dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para concluir que o aumento autorizado do preço dos combustíveis, ou seja, do preço na distribuidora, contribuiu, mas não foi o fundamental para que o preço em Curitiba subisse tanto em agosto. A gasolina na capital no último mês teve um preço médio ao consumidor de R$ 2,157 o litro. A margem de lucro média do posto foi de R$ 0,275, ou seja, 14,67%, a maior desde fevereiro.

Curitiba foi a quinta capital com preço da gasolina mais caro do Brasil. Normalmente, os preços em Curitiba estavam entre os mais baratos. A variação do preço da gasolina na capital de agosto de 2003 até agosto de 2004 foi de 10,62%, ficando com o segundo maior índice entre as capitais pesquisadas, perdendo apenas para Fortaleza com 13,2%. “A gasolina subiu principalmente na terceira semana, mas depois os postos reduziram o preço e margem de lucro, pressionados pelo mercado e pelo Ministério Público”, lembrou o economista.

Na primeira semana de setembro o preço da gasolina na capital ficou em R$ 2,076, com uma margem de lucro aos postos de R$ 0,21 ou 11,31%. (Lawrence Manoel)