A comida ficou, de novo, mais cara em novembro para o consumidor curitibano. Segundo dados divulgados ontem pelo Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, a cesta básica da capital paranaense subiu 2,98%.

Com o resultado, a ração alimentar mínima da capital mantém uma variação de 21,78% no ano – a maior alta verificada entre as 17 capitais pesquisadas pelo órgão. Nos últimos 12 meses, os itens acumulam alta de 23,04% – a 4.ª maior variação entre as capitais.

A variação anual da cesta básica da capital se mantém quase quatro vezes acima da inflação anual, cuja estimativa do Dieese deve fechar o ano com alta de mais de 6%.

Somente nos últimos dois meses, a cesta básica de Curitiba subiu 10,72%. Em todo o País, o preço da cesta básica subiu em 11 capitais, entre as 17 pesquisadas pelo Dieese.

A variação da cesta básica de Curitiba teve a terceira maior alta no mês de novembro, ficando abaixo de Vitória (5,90%) e Recife (3,44%). A cesta básica da capital também é a terceira mais cara entre as pesquisadas, custando R$ 228. As cestas mais caras de novembro são as de Porto Alegre (R$ 239) e São Paulo (R$ 238,66).

Da mesma forma com ocorreu em outubro, o tomate foi novamente o vilão entre os itens, com alta de 14,21%. No mês anterior o produto havia aumentado 12,57%. Com preço médio de R$ 2,25 o quilo, o produto acumula alta de 78,57% no ano, de de 45,16% nos últimos 12 meses.

De acordo com o economista do Dieese, Sandro Silva, a variação no preço do tomate é justificada pelo aumento de adubos, fertilizantes e outros insumos agrícolas. O economista conta que 12 das capitais pesquisadas verificaram aumento no preço do produto em novembro.

Para Silva, no entanto, o preço do tomate tende a sofrer uma queda em dezembro. “É um período de safra e a oferta do produto deve aumentar no mercado. Com isso, evidentemente, o preço deve se adaptar à demanda”, afirma. Para o economista, o clima pode ser um fator de desequilíbrio e manter a alta do produto.

Outro item que apresentou alta em novembro foi o feijão, que em Curitiba subiu 9,77%, custando em média R$ 4,82 o quilo, acumulando alta de 56,49% no ano e de 95,14% nos últimos doze meses.

Por outro lado, a batata segurou a variação da cesta básica em novembro. O produto teve a quarta queda consecutiva, fechando o mês com decréscimo de -14,38%, a menor queda entre os itens. De agosto a novembro o preço da batata acumula uma queda de -30,55%.

Em dezembro, a expectativa do Dieese é de que pode haver uma queda no preço da cesta básica. “Tudo vai depender do preço da carne, que, por ser um dos mais caros da cesta básica, tem um impacto mais significativo, se comparado aos outros itens”.

O economista explica que, em dezembro o preço da carne estabiliza, porém, como o preço teve sucessivos aumentos nos últimos meses, a variação da carne torna-se uma incógnita.

Sandro projeta que a cesta básica de Curitiba deve fechar o ano com alta de 20%, se confirmada a queda esperada em dezembro. Isso significa mais do que três vezes a inflação esperada para o ano.

Salário mínimo ideal em novembro seria de R$ 2.007,84

O salário mínimo ideal para atender as necessidades básicas de uma família composta por quatro pessoas, dois adultos e duas crianças, em novembro seria de R$ 2.007,84.

É a este valor que chegaram os técnicos do Dieese ao fazer suas contas com base no preço da cesta básica de Porto Alegre, a maior em valor entre as 17 capitais do País em que a entidade pesquisa mensalmente o valor médio da cesta básica.

Em Porto Alegre, mesmo com a queda de 0,34% na comparação com outubro, a cesta básica permaneceu como a mais cara do País, custando ao consumidor gaúcho de baixa renda a quantia de R$ 239,00.

O salário proposto pelo Dieese corresponde a 4,83 vezes o mínimo vigente hoje no País, que é de R$ 415,00. Em outubro, de acordo com os técnicos do Dieese, o valor necessário para arcar com as despesas de uma família nos parâmetros do Diee,se com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência seria de R$ 2.014,73 ou 4,85 vezes o valor do piso nacional. Em outubro do ano passado, o mínimo sugerido era de R$ 1.726,24, ou 4,54 vezes o mínimo daquele período, que era de R$ 380,00.