Curitiba registrou, em novembro, os menores índices de inflação do País entre as onze regiões pesquisadas pelo IBGE. Pelo IPCA, que mede o custo de vida para famílias com renda entre um e quarenta salários mínimos, a variação na capital paranaense foi de 0,03%. No acumulado do ano, o IPCA de Curitiba é o menor do País: 6,98%. No INPC, que reflete a variação de preços para famílias que recebem de um a oito salários mínimos, Curitiba foi a única a apresentar deflação, de -0,09%. No ano, o INPC teve alta de 7,24% na capital paranaense, também menor variação nacional.

De acordo com o economista Cid Cordeiro, supervisor técnico do Dieese, os baixos índices de inflação de Curitiba refletem as deflações verificadas nos combustíveis e nos alimentos. O grupo Transportes, que inclui os combustíveis, teve a maior queda no IPCA da capital paranaense: -0,67%, seguido de alimentos e bebidas (-0,09%). “Apesar do aumento da cesta básica, caíram os preços de hortaliças e verduras, açúcar, farinha, fécula e massas, e pescados”, aponta Cordeiro. Dos 323 itens pesquisados no IPCA, 54% aumentaram de preço em Curitiba, 6% ficaram estáveis e 40% apresentaram redução.

Curitiba apresentou baixa variação no grupo Habitação: 0,09%. Nos demais grupos, as oscilações foram: Artigos de Residência (0,16%), Vestuário (0,19%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,39%), Despesas Pessoais (1,37%), Educação (0,11%) e Comunicação (0,07%). Já no INPC, as maiores influências para a deflação vieram de Alimentos e Bebidas (-0,58%) e Transportes (-0,51%).

Tarifas públicas

Os preços administrados por contrato e monitorados pelo governo tiveram recuo de 0,29% em Curitiba, no mês passado. Segundo levantamento mensal divulgado ontem pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) e pelo Senge/PR (Sindicato dos Engenheiros do Paraná), a variação das tarifas públicas no ano é de 6,66%, inferior à inflação do período (6,98% pelo IPCA e 7,24% pelo INPC). Para uma família curitibana, o custo dos serviços públicos foi de R$ 404,74 – contra R$ 405,90 em outubro.

Com exceção dos combustíveis, os demais itens apresentaram estabilidade em novembro. A gasolina caiu 1,25%, o álcool 7,40% e o diesel 0,15%. No ano, o maior aumento ocorreu no seguro-apagão (49,12%), seguido do pulso telefônico (17,24%), assinatura de telefonia fixa (17,22%) e tarifa de Correios (11,11%). O gás de cozinha (bujão de 13 quilos) subiu 8,82%, o minuto de celular pré-pago 8,79% e a mensalidade de celular 6,45%. As únicas quedas ocorreram em álcool (-21,56%), gasolina (-1,81%) e diesel (-1,45%). Para dezembro, a expectativa é de alta, em função da bandeira 2 do táxi e da alta da gasolina, conforme Cordeiro.

Conjuntura

Apesar de o governo ultrapassar a meta de inflação com o FMI, Cordeiro classifica de “verdadeira proeza” a redução conseguida, já que em maio o acumulado estava na casa de 19%. Mas ele salienta que a queda do IPCA foi conseguida à base de uma “gestão rigorosa do BC, que levou ao baixo crescimento do PIB no terceiro trimestre”. “O Brasil quase conseguiu cumprir a meta, mas sacrificou a atividade econômica e, conseqüentemente, o emprego e a renda”. Para 2004, o BC estima que os preços administrados subam 7,9% e respondam por 46% da inflação projetada de 5,5%. “Isso é ruim porque mostra que todos os outros preços da economia poderão aumentar 3%”, comenta o economista.

Meta para o ano não será cumprida

Mais uma vez a meta de inflação fixada pelo governo não deverá ser cumprida. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), registrou inflação de 0,34% em novembro, acumulando no ano taxa de 8,74%.

A meta ajustada do governo para este ano é de 8,5%, sem margem de tolerância. Ou seja, apenas com uma bastante improvável deflação em dezembro a meta será cumprida.

No meio deste ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central já havia descartado qualquer esforço adicional para convergir o IPCA para a meta de 8,5% em 2003 e passou a mirar suas decisões de política monetária (juros, basicamente) na convergência da taxa para a meta do próximo ano.

O BC vai buscar em 2004 uma inflação de 5,5%, podendo essa meta oscilar 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.

No ano passado, a inflação medida pelo IPCA também estourou o teto da meta, de 11%, ao fechar o ano em 12,53%. A única vez em que a taxa ficou abaixo da meta fixada pelo governo foi em 2000, quando o IPCA somou 5,97% no ano. A meta era de 6%.

Em 1999, quando foi criado o sistema de metas de inflação, o governo se propôs a buscar uma inflação de 8%, com variação de até 2 pontos para cima ou para baixo. A inflação superou essa meta, ficando 8,94%. Porém, manteve-se dentro da margem de erro tolerada.

Acumulado nacional já supera meta

A inflação de novembro, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), atingiu 0,34%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em outubro, a taxa foi de 0,29%. A alta de preços de novembro ficou praticamente igual à previsão do mercado, de 0,35%, segundo boletim divulgado pelo Banco Central.

No ano, o IPCA acumula alta de 8,74% e já supera a meta ajustada do Banco Central para a inflação deste ano, de 8,5%. Trata-se do terceiro ano seguido que o País não consegue cumprir a meta. O próprio BC, no entanto, já havia admitido diversas vezes que os preços ficariam pouco acima da meta em 2003.

Nos últimos 12 meses, o IPCA alcançou 11,02%.

Loterias

As maiores pressões para a alta foram exercidas por ônibus urbanos e loterias, cujas altas foram de 1,08% e 34,63%, respectivamente.

Entre as 11 áreas pesquisadas, Rio de Janeiro registrou a maior inflação, de 0,88%. A menor taxa foi apurada em Curitiba, de 0,03%. Em São Paulo, a inflação foi de 0,16%.

O IPCA é calculado em nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. O índice se refere às famílias com rendimento monetário de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte.

“Inflação dos pobres”

A inflação para a população com renda mensal mais baixa ficou em 0,37% em novembro, de acordo com o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O índice é calculado pelo IBGE (Instituto Nacional de Geografia e Estatística) com base no consumo de famílias cuja renda mensal não ultrapassa oito salários mínimos. Em outubro, o INPC registrou alta de 0,39%

No ano, o INPC acumula 9,79%. Nos últimos 12 meses, a taxa alcançou 12,76%.