Curitiba teve a menor inflação do Brasil, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado), divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A queda do percentual, que ficou em 3,48%, foi influenciada principalmente por alimentos, que apresentaram a menor variação, 7,16%. A média brasileira do IPCA foi de 4,46%, no acumulado do ano, e de 0,74% no mês de dezembro, quase o dobro do mês anterior, de 0,38%. A inflação de Curitiba em dezembro registrou alta de 0,49% contra 0,13% de novembro. Também no INPC, que mede a inflação de quem ganha de um a cinco salários mínimos, Curitiba teve o menor índice, de 3,73% no acumulado do ano, contra média nacional de 5,16%.

A Região Metropolitana de Belém ficou com o maior IPCA do ano, 7,10% e, ao contrário do que ocorreu na capital paranaense, lá foi o setor ?alimentos? que pressionou o índice, com alta de 16,45%. Outros resultados foram os seguintes: Salvador, 6,07%; Belo Horizonte 5,86%; Recife, 5,45%; Goiânia, 4,7%; Brasília, 4,55%; Fortaleza, 4,18%; São Paulo, 3,89%; Rio de Janeiro, 3,8%; Porto Alegre, 3,71%.

Dentre os grupos, em 2007, a maior alta foi em alimentação e bebidas (10,79%). Artigos de residência ficou com o menor resultado, -2,48%. Os alimentos, com peso de 21,44% na despesa das famílias, ficaram 10,79% mais caros em 2007, exercendo forte pressão sobre o IPCA do ano: 2,21 ponto percentual de contribuição. Ou seja, o grupo alimentação e bebidas foi responsável por cerca da metade do índice geral.

O item carnes (22,15%) deteve a maior contribuição no IPCA de 2007: 0,39 ponto percentual. Em seguida, veio o item leite e derivados, com alta de 19,79% e contribuição de 0,36 ponto percentual.

Os preços dos feijões chegaram a aumentar, em média, 109,20% e foram a terceira maior contribuição ao IPCA de 2007: 0,31 ponto percentual.

A alta dos alimentos é atribuída, basicamente, aos seguintes fatores: condições climáticas desfavoráveis, com chuvas intensas no primeiro semestre e longa estiagem no segundo; preços elevados dos produtos cotados no mercado internacional; aumento das exportações, favorecido por problemas climáticos em países produtores; redução de safra por baixa remuneração em períodos anteriores; e aumento da demanda por alimentos, tanto interna quanto externa.

Contribuição negativa

Os preços dos produtos não-alimentícios, que pesam 78,56% no IPCA, aumentaram 2,83% em 2007, o menor aumento desde 1998 (1,56%) e bem abaixo do de 2006 (4,23%). Isso porque itens importantes no consumo das famílias chegaram a apresentar significativa queda no ano, caso das contas de energia elétrica, que ficaram 6,16% mais baratas e, com isso, exerceram a mais baixa contribuição em 2007: -0,23 ponto percentual. Já o telefone fixo fechou o ano com variação de 0,34%, relativamente baixa e sem pressão significativa sobre o índice.

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do País (Belém, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba), além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados de 27 de novembro a 27 de dezembro (referência) com os vigentes de 27 de outubro a 26 de novembro (base).