Arquivo / O Estado
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Remédios ajudaram a impulsionar
a inflação do curitibano.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a registrar inflação no mês de julho, com alta de 0,25%. No mês anterior, o principal índice de inflação do País havia apurado deflação de 0,02%, a primeira taxa negativa em dois anos. Entre as onze regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Curitiba registrou o segundo maior aumento, de 0,78%. O único resultado negativo foi verificado no Rio de Janeiro (-0,07%).

Em Curitiba, o grupo que mais pressionou a inflação foi o de combustíveis, com aumento de 5,92%. Contribuíram para o índice o telefone fixo (alta de 4,03%), produtos farmacêuticos (3,07%) e a energia elétrica (5,01%). Também o grupo alimentos, que registrou queda de 0,77% em nível nacional, teve redução menor em Curitiba, de 0,39%.

O economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR), lembrou que apesar da inflação acima da média nacional, Curitiba acumula no ano o segundo menor IPCA do País: 2,47%. A média brasileira é de 3,42%.

Abaixo das previsões

Em nível nacional, o resultado de julho ficou levemente abaixo das previsões de analistas. Segundo o último Relatório de Mercado, organizado pelo Banco Central, a expectativa era de que o índice apurasse alta de 0,27%.

O comportamento dos preços foi influenciado principalmente pelo aumento do telefone fixo, que representou 60% da inflação de 0,25%. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) autorizou um reajuste de 7,27% para o telefone fixo, o que fez as contas ficarem 4,21% mais caras em julho.

Os combustíveis também contribuíram para que a inflação se acelerasse de junho para julho. O álcool ficou 2,05% mais caro e a gasolina, 0,87%, e juntos foram responsáveis por 0,06 ponto percentual da inflação de 0,25%.

Segundo o IBGE, o aumento nos preços no mês passado reflete a tentativa dos produtores de cana-de-açúcar de recompor margens em Curitiba, São Paulo, Goiânia, Porto Alegre e Fortaleza, onde os preços estavam mais defasados.

?O movimento da inflação é claramente de desaceleração de preços?, afirmou a gerente do Sistema de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Em julho, a inflação ficou praticamente concentrada em telefone e combustíveis, que juntos somaram 0,20 ponto percentual.

Segundo o IBGE, não existem pressões fortes para o IPCA de agosto. O índice deverá captar ainda um resíduo do reajuste de 7,99% das tarifas de telefone fixo para celular vigente desde 17 de julho. Além disso, a região metropolitana de Belém deverá pressionar a taxa com aumento de água e esgoto (20%) e ônibus urbano (8%), a partir de 1.º de agosto.

Juros

No acumulado do ano, o IPCA registra alta de 3,42%, a menor taxa acumulada para os primeiros sete meses do ano desde 2000. Com a moderação dos índices de inflação nos últimos meses, já há analistas de mercado que acreditam que a meta de inflação definida pelo Banco Central, de 5,1% na previsão ajustada, já teria se tornado factível.

A desaceleração da inflação também favorece um afrouxamento da política monetária, com o início do ciclo de queda dos juros – o IPCA serve de parâmetro para as metas de inflação do governo.

O IPCA se refere a famílias com rendimento de até 40 salários mínimos e abrange Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.