O custo da alimentação essencial para o trabalhador curitibano teve deflação de 0,32% em maio. Em valores, a queda mensal foi de R$ 0,40, passando de R$ 124,93 para R$ 124,53. Entre as dezesseis capitais pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), treze apresentaram redução da cesta básica.

Apesar do recuo no último mês, a cesta de Curitiba ficou com a quinta maior variação do País – a maior ocorreu em Natal (2,93%) – e continua sendo a quarta mais cara. A alimentação básica de Porto Alegre é a de maior valor (R$ 133,50). No acumulado do ano, a cesta curitibana caiu 4,70%, enquanto nos últimos doze meses, houve aumento de 1,19%.

Dos treze produtos que compõe a cesta básica, sete tiveram aumento no mês passado na capital paranaense: manteiga (14,59%), batata (12,30%), banana (6,42%), café (3,99%), pão (3,58%), óleo de soja (1,99%) e farinha de trigo (1,39%). Essas altas não foram suficientes para pressionar positivamente o valor da cesta devido às reduções no tomate (-19,20%), arroz (-11,54%), feijão (-7,21%), açúcar (-2,33%) e carne (-0,13%). O preço do leite permaneceu estável. A alta da manteiga está relacionada à estiagem na Região Sul, que afetou a produção de leite, explica o economista Sandro Silva, do Dieese. Já o aumento da batata se deve à entressafra. “O consumo paranaense depende da produção dos estados de São Paulo e Minas Gerais”, comenta. O período de entressafra também motivou a elevação do preço da banana.

De acordo com Silva, a retração do preço do tomate, revertendo a alta de 15,74% de abril, foi influenciada pela boa safra paulista, de onde vem a maior parte do tomate comercializado no Paraná. A queda no feijão está ligada ao aumento da área plantada e da produção no Estado. “Os especialistas não acreditam em recuo no mesmo patamar de aumento do ano passado, porque os preços estão bons para o produtor”, assinala Silva.

Os técnicos do Dieese ressaltaram que o resultado da cesta de junho será influenciado principalmente pela variação da carne, que representou em maio 35% do custo total da alimentação básica. “A batata pode apresentar queda e a banana tende a continuar aumentando. De forma geral, o preço dos produtos vai depender do clima. Se esfriar muito e houver geada, a cesta sobe”, disse Silva.

Inflação

O supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, atribui a queda de 4,70% no preço dos alimentos em 2002 à safra deste ano, superior à do ano passado, e à queda da renda familiar, que afeta a demanda. Dados da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) apontam redução de 9,17% nas vendas de abril deste ano comparado a abril do ano passado. “Mesmo com o apoio dos alimentos, o IPCA acumulado de janeiro a abril é de 2,30%. Estimando 0,20% de inflação em maio, chegamos a 2,50%, ou 70% da meta para este ano”, destaca.

“O governo não se beneficia do comportamento do preço dos alimentos para garantir a meta de inflação no núcleo de 3,5%, porque os preços administrados e monitorados estão descontrolados”, analisa Cordeiro. “Hoje o controle da inflação acontece muito mais em função da restrição de consumo, já que os gastos com gás, energia, ônibus e gasolina não são substituíveis e provocam rearranjo nos orçamentos”, pondera.

Mínimo necessário: R$ 1.121,53

Pelos cálculos do Dieese, o salário mínimo necessário deveria ser R$ 1.121,53. Este valor é levantado com base na lei que estabeleceu o salário mínimo (Decreto Lei 399) e no artigo 7, capítulo IV, da Constituição, que define o salário mínimo como capaz de atender as necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.

Para uma família curitibana de quatro pessoas (casal e duas crianças), a ração alimentar essencial custou R$ 373,59 no mês passado, sendo necessário 1,87 salários mínimos somente para satisfazer as necessidades do trabalhador e sua família com alimentação. Um trabalhador curitibano que recebe o salário mínimo precisou trabalhar 136h59min de uma carga horária estipulada em lei de 220h. Em maio, a alimentação comprometeu 67,42% do salário mínimo líquido. (OP)

Interior gera a maioria dos empregos do PR

Dos 15.374 empregos formais criados no Paraná no primeiro trimestre de 2002, 79,5% estão no interior do Estado. Nesse período, o Estado registrou ampliação de 1,1% no número de postos de trabalho. O nível de emprego na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) expandiu 0,53%, enquanto no interior houve crescimento de 1,50%.

De janeiro a março, os municípios com maior taxa de crescimento do emprego foram: Piraquara (7,02%), Toledo (4,05%), Cascavel (3,18%), Paranavaí (2,61%) e Paranaguá (2,26%). Com índice de crescimento mais baixo, aparecem: Foz do Iguaçu (-2,75%), Umuarama (-1,26%), Pinhais (-0,40%), Maringá (-0,03%) e Curitiba (0,35%). Os setores que mais criaram empregos com carteira foram: indústria de transformação, comércio e serviços. Das 7.354 vagas abertas na indústria, apenas 25 foram na RMC.

“O crescimento do emprego formal no interior do Paraná não é uma política determinada de desenvolvimento regional e atração de investimentos, mas é a mesma dinâmica observada no Brasil. É uma tendência nacional o interior gerar mais empregos que as regiões metropolitanas”, salienta o economista Cid Cordeiro, do Dieese.

No Paraná, o melhor desempenho na geração de postos de trabalho na indústria ocorre em setores tradicionais, como alimentação e vestuário, segmentos concentrados no interior, observa. Segundo Cordeiro, a renda gerada pela safra agrícola ativa a economia estadual, se refletindo no comércio e serviços. (OP)