Os alimentos deram uma trégua e pesaram menos no bolso do consumidor curitibano em janeiro. Conforme pesquisa apresentada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o custo da cesta básica caiu 7,78% no mês passado em relação a dezembro. Foi a maior queda registrada em Curitiba desde que a pesquisa começou a ser feita, em junho de 83. O principal impacto veio do tomate, com variação negativa de 59,41%. Dos 13 itens pesquisados, em Curitiba, apenas cinco registraram alta.

A queda surpreendente da cesta básica ocorreu depois de quatro meses consecutivos de alta. De acordo com o coordenador regional do Dieese-PR, Adílson Stuzata, caso o preço do tomate tivesse permanecido estável, a cesta teria registrado queda de apenas 0,56% no mês. Segundo Sandro Silva, economista do Dieese-PR, a queda do preço do tomate é explicada principalmente pela intensificação da colheita em janeiro. Além disso, a produção conta com boa tecnologia – incluindo o processo de irrigação -, o que amenizou as perdas causadas pela estiagem. O economista lembrou ainda que o preço do produto vinha em alta. Em outubro e novembro, o aumento acumulado era de 64%. Em dezembro, o preço permaneceu estável e o quilo do tomate custava em média R$ 2,39. Em janeiro, passou para R$ 0,97, segundo pesquisa do Dieese.

A queda do preço do tomate foi generalizada, ocorrendo em 14 das 16 capitais pesquisadas. Curitiba teve a terceira maior queda. A maior redução ocorreu em Recife, onde o quilo do produto caiu 61,62%.

Outro item que registrou queda no preço em Curitiba foi a banana (-9,69%), também por conta do período de safra. Também tiveram redução o café (-6,32%), o feijão (-4,80%), a manteiga (-3,19%), o arroz (-2,29%), a carne (-2,23%) e o pão (-0,72%).

Na outra ponta, a batata foi o produto que mais subiu: 24,56%. De acordo com Sandro Silva, ao contrário do tomate – que não sofreu os efeitos da estiagem -, a batata teve a safra afetada. ?Além de cara, a qualidade não é boa?, apontou Silva. Desde outubro, o quilo da batata já subiu 160%, passando de R$ 0,82 o quilo para R$ 2,13. O aumento do preço é generalizado e ocorreu nas nove capitais pesquisadas pelo Dieese. Além da batata, tiveram aumento de preço o açúcar (8,53%) – influenciada pela entressafra da cana-de-açúcar, que reduziu a oferta do produto e elevou o preço -, a farinha de trigo (4,12%), o leite (1,80%) e o óleo de soja (0,50%).

Para Sandro Silva, parte da queda dos preços dos alimentos pode estar atrelada à isenção do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços). A expectativa, segundo ele, é que em fevereiro seja registrada nova deflação, com a possível queda do preço da batata. Também a carne e o tomate devem manter a redução de preço.

Valor

Em termos de valores, Curitiba ficou na sétima posição quanto à cesta básica mais cara do País. Em janeiro, a cesta de alimentos custou R$ 163,16, comprometendo 54,39% do salário mínimo. O economista Sandro Silva lembrou que houve época em que o comprometimento era de quase 100% – caso de 1990, quando o custo da cesta básica em Curitiba respondia por 96,71% do salário mínimo vigente na época.

Para uma família composta por um casal e duas crianças, a cesta básica custou R$ 489,48 em janeiro. 

Salário mínimo deveria ser de quase R$ 1.500

O Dieese calcula mensalmente o valor do salário mínimo necessário com base no maior valor apurado da cesta básica. Em janeiro, de acordo com o preço da cesta básica de Brasília, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família – incluindo despeas com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social – deveria corresponder a R$ 1.496,56, ou seja, 4,99 vezes o salário mínimo vigente, de R$ 300. Este valor é inferior ao que era necessário para a manutenção de uma família em dezembro de 2005, quando chegava a R$ 1.607,11, mas supera o valor que era necessário em janeiro de 2005 (R$ 1.452,28), de 5,59 salários mínimos.

Queda nas capitais

O preço da cesta básica registrou em janeiro queda em 13 das 16 capitais pesquisadas pelo Dieese. As quedas mais expressivas, em relação a dezembro, foram verificadas em Porto Alegre (-11,02%), Recife (-10,18%) e João Pessoa (-9,05%). Por outro lado, os bens de primeira necessidade subiram em apenas três cidades: Goiânia (1,45%), Belém (0,82%) e Brasília (0,53%).

Segundo o Dieese, o maior valor da cesta básica foi apurado em Brasília (R$ 178,14), seguido por São Paulo (R$ 177,45), Rio de Janeiro (R$ 172,80), Porto Alegre (R$ 170,22), Belo Horizonte (R$ 169,00) e Vitória (R$ 165,15). Curitiba ficou na sétima posição, com o valor da cesta a R$ 163,16. Na outra ponta, a cesta básica mais barata foi encontrada em Recife (R$ 126,03), seguida por Natal (R$ 127,67) e Salvador (R$ 128,51).

No acumulado de 12 meses (fevereiro 2005 a janeiro 2006) quatro capitais registraram queda no valor da cesta básica: Natal (-6,87%), Recife (-4,75%), João Pessoa (-1,56%) e Goiânia (-0,33%). O maior aumento foi verificado em Belo Horizonte, com 12,25%, seguido por Salvador, com 0,52%, e Fortaleza, com 5,57%.(LS)