São Paulo (AE) – O presidente da CUT, Luiz Marinho, defendeu a ampliação da composição da Conselho Monetário Nacional, de forma a permitir a participação do setor produtivo, inclusive dos trabalhadores. Para Marinho, a direção do Banco Central é ?muito conservadora e atrasada?. Por isso, ele acredita que é fundamental o CMN ter uma composição mais ampla e democrática para influenciar nas diretrizes do BC e propiciar a volta do crescimento sustentável.

Dentro de 15 dias, a CUT vai organizar um grande encontro com a participação de empresários, centrais sindicais e intelectuais para realizar um grande debate sobre o tema e encaminhar a resolução ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva reivindicando oficialmente a abertura do CMN a esses setores. ?Todo mês é o mesmo sofrimento com as reuniões do Copom, que têm como única meta o controle a inflação e trabalha de forma cega, com o cumprimento de meta de inflação, de 5,1%. Isso está mais para um jogo de dardos do que para promover o desenvolvimento do País?, afirmou Marinho, ontem.

O dirigente sindical disse que a equipe econômica tenta justificar o comportamento do Banco Central com dados de crescimento da economia. ?Mas isso é uma contradição, porque a política de juros fica barrando o crescimento e deixando o setor produtivo temeroso quanto ao futuro do País?, afirmou. Para Luiz Marinho, o BC deveria trabalhar também com outras metas, tais como o aumento da renda, o crescimento sustentável e a geração de empregos.

?É óbvio que não queremos deixar a inflação sem um monitoramento. A CUT deseja o controle dos índices inflacionários, mas não podemos mais ficar assistindo à condução de uma política econômica equivocada?, disse.

Marinho falou também que o CMN é atualmente muito restrito e o BC tem um único ouvido, dirigido especificamente para o sistema financeiro. Ele disse que no final do ano passado o presidente Lula manifestou interesse em ampliar a composição do CMN. Por esta razão, a CUT irá lançar esta campanha.

Ainda nas críticas ao BC, Marinho disse que a instituição parece atuar contra o governo do presidente Lula. ?O presidente Lula vem fazendo um grande esforço na política de concessão de crédito aos menos favorecido. O BC faz oposição ao governo e atua na contramão, aumentando os juros e segurando o crescimento da economia?, afirmou.

Para ele, seria bom que o Copom tivesse sua importância reduzida e o CMN ampliado para que o setor produtivo e os trabalhadores tivessem oportunidade de defender seu ponto de vista. E reiterou: ?Ninguém está propondo uma irresponsabilidade com a inflação, mas é fundamental buscar mecanismos mais eficientes de controle sem ter de ficar empunhando a espada na cabeça do crescimento?.