O desemprego gerado pela crise econômica mundial foi o tema principal de um ato nacional realizado ontem, Dia de Luta em Defesa dos Empregos e Salários, pela Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Em diversas partes do país, representantes da entidade e de várias categorias de trabalhadores foram às ruas para protestar contra a grande quantidade de demissões ocorridas nos últimos meses. Em Curitiba, foi promovida panfletagem e ato público na Boca Maldita, na região central.

“Desde o final do ano passado, foram cerca de 650 mil trabalhadores demitidos em vários setores da economia. Acreditamos que, em um momento de crise, os empresários, que arrecadaram tanto nos últimos anos, deveriam dar sua parcela de contribuição social e manter o emprego e os salários dos trabalhadores. Não podemos aceitar as demissões como algo natural”, afirmou a diretora da CUT no Paraná, Eliana Maria dos Santos.

Para garantir o crescimento da economia brasileira este ano, a CUT propõe diversas alternativas, como redução dos impostos das empresas que mantiverem os empregos de seus funcionários, liberação de crédito, redução da taxa básica de juros, utilização do superávit primário para garantir programas sociais, investimentos em obras públicas, criação de câmaras setoriais, redução da jornada de trabalho sem redução de salários, fim das terceirizações e da rotatividade de trabalhadores e apoio à agricultura familiar.

“A crise não foi produzida pelos trabalhadores. Por isso, eles não devem pagar por ela. No período anterior, os empresários tiveram um acúmulo financeiro bastante grande, podendo agora manter os trabalhadores. Em 2007, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 5,7%. No ano passado, mesmo com a crise, cresceu 4%”, disse o vice-presidente da CUT-PR, Miguel Baez.

Às 7 horas de ontem, um grupo de sindicalistas da CUT foi até a Agência do Trabalhador, também no centro de Curitiba, para entregar panfletos sobre a crise e convidar as pessoas que buscam recolocação profissional a participar do ato na Boca Maldita.