A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou ontem que as instituições financeiras que participaram da megacapitalização da Petrobras poderiam ter divulgado análises sobre a oferta durante o período em que a operação ainda estava aberta. Semana passada, os bancos Itaú e Morgan Stanley causaram polêmica ao publicar relatórios negativos sobre a estatal logo após o encerramento oficial da transação. Ambos estavam entre os coordenadores da oferta, a maior da história mundial, que movimentou R$ 120 bilhões. Estima-se no mercado que cada negócio desse tipo origine comissões de 0,5% a 2% do valor do negócio – no caso, entre R$ 600 milhões e R$ 2,4 bilhões.

Para críticos, as instituições incorreram em conflito ético, porque venderam as ações aos investidores e logo depois da oferta publicaram relatórios rebaixando as projeções para os papéis. Os maiores prejudicados seriam os pequenos poupadores. “Não posso crer que um banco ‘descobriu’ que não era um bom investimento assim que acabou o período de silêncio”, disse Marcello Klug Vieira, sócio da área de mercado de capitais do Salusse Marangoni Advogados. “Isso configura conflito de interesses, conflito ético.”

A Itaú Corretora rebaixou a recomendação para os papéis da Petrobras de “desempenho acima da média do mercado” para “desempenho conforme a média do mercado”. O banco de investimentos do grupo, Itaú BBA, foi um dos coordenadores globais da emissão da estatal. Já o Morgan Stanley reduziu o chamado preço-alvo para as ações – ou seja, o banco acredita que, no fim de 2011, elas valerão menos do que se esperava antes -, mas manteve a recomendação “acima da média do mercado”.

Apesar das diferenças, os dois textos foram citados por operadores de mercado para explicar o desempenho das ações na semana passada – os papéis ordinários (ON, com direito a voto) recuaram 5,2% e os preferenciais (PN) caíram 5,5%. O banco inglês Barclays e o suíço UBS também rebaixaram a estatal, mas diferentemente dos outros dois não estiveram entre os líderes da megaoferta.

Procurados, Itaú e Morgan Stanley não quiseram se pronunciar. No entanto, fontes do mercado que pediram para não ser identificadas afirmaram que os bancos não divulgaram relatórios durante o andamento da operação por temer a reação da CVM. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.