Há pouco mais de dez anos, o então secretário Roberto Azevêdo ocupava uma mesa modesta na missão do Brasil em Genebra, onde mal cabiam todos os papéis e que ainda tinham de dividir espaço com um modelo de um avião da Embraer. Azevêdo, na época, trabalhava na disputa entre Brasil e Canadá por conta dos subsídios aéreos. Uma década depois, ele ocupa o cargo mais importante do comércio internacional, numa carreira meteórica.

O engenheiro baiano, de 55 anos, dedicou praticamente toda a carreira aos temas comerciais. Depois da primeira experiência na OMC, retornou ao Brasil e assumiu duas funções. A primeira foi a de liderar uma divisão criada no Itamaraty para coordenar as disputas comerciais que o Brasil estava lançando. Pouco tempo depois, seria o subsecretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, responsável por coordenar todas as negociações comerciais do Brasil.

Em 2008, Azevêdo faria o retorno a Genebra, como embaixador. A OMC estava entrando em sua pior fase e Azevêdo foi um dos primeiros a deixar claro a frustração com a entidade e com o comportamento dos demais países. Durante a carreira, adotou pelo menos dois estilos que o marcariam: o conhecimento profundo das partes técnicas das negociações e uma atitude política pragmática.

As disputas iniciais que lhe valeram um reconhecimento internacional foram iniciadas no governo Fernando Henrique Cardoso e apenas concluídas no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Anos depois, durante uma passagem de José Serra por Genebra para um evento na ONU, Azevêdo não hesitou em dar ao então pré-candidato à Presidência um almoço em sua casa. Durante a própria campanha, Azevêdo uma vez mais mostrou pragmatismo. Era o candidato menos graduado. Todos os demais haviam sido ministros de Estado. Para driblar essa situação, o governo lhe emprestou um avião, o que o faria ser recebido em diversos países mais pobres com maior grau de respeito.

Diante dos questionamentos sobre a postura protecionista do Brasil, Azevêdo insistiu em se afastar – pelo menos publicamente – da posição do governo. Em várias ocasiões, disse que a candidatura não era do Brasil, mas da pessoa. Outra marca de sua carreira é o conhecimento das intrincadas regras do comércio internacional. Em uma determinada reunião entre o então chanceler Celso Amorim e o ex-comissário de Comércio da Europa, Peter Mandelson, o inglês sugeriu que Azevêdo deveria sentar-se ao seu lado para ajudá-lo, e não com Amorim. Naquele momento, o ex-chanceler apenas retrucou: “Essa é nossa arma secreta”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.