O déficit da Previdência Social deve ficar ainda maior do que os R$ 16,6 bilhões estimados pelo governo para este ano, admitiu hoje (12) o ministro da Previdência Social, José Cechin. Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga possíveis desvios de recursos da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), Cechin disse para os parlamentares que essa previsão sofrerá, nos próximos meses, nova revisão.

O ministro não disse quanto o governo espera de aumento no déficit, mas explicou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) vem sendo menor que o esperado. De acordo com Cechin  o déficit também será influenciado pelo reajuste, concedido este mês, às aposentadorias e pensões acima do salário mínimo.

A previsão do governo para esse reajuste era de cerca de 8%, mas o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado no período chegou a 9,2%. Esse reajuste será pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a aproximadamente seis milhões de beneficiários no próximo mês.

Cechin garantiu aos parlamentares que os recursos originários da CPMF, que são repassados pelo Tesouro Nacional para a Previdência Social, estão rigorosamente em dia e dentro dos porcentuais estipulados em lei. ?Acompanhamos a liberação dos recursos e não temos nenhum indicativo de que alguma parcela possa estar retida ou desviada da sua finalidade?, assegurou. De acordo com os dados apresentados, o repasse de recursos da CPMF para a Previdência Social foi de R$ 3,4 bilhões em 1999, R$ 4,9 bilhões em 2000 e R$ 3,4 bilhões no ano passado. Tudo saiu diretamente da conta do INSS no Tesouro para o pagamento de benefícios.