O ministro Roberto Rodrigues defendeu
maiores investimentos em biotecnologia.

O Ministério da Agricultura só irá responder ao pedido do Paraná de ser considerado área livre de produtos geneticamente modificados (ogm) na próxima semana. O ministro Roberto Rodrigues disse ontem, em Curitiba, que a comissão de biotecnologia do ministério irá definir até segunda-feira qual será a posição do Brasil em relação aos transgênicos. Rodrigues adiantou que a lei nacional que trata sobre o assunto deverá estar aprovada até março ou abril de 2004, e ela irá balizar todas as decisões nacionais e regionais sobre os ogm.

Para o ministro – que esteve participando da abertura do Encontro Estadual de Cooperativismo, organizado pela Ocepar (Organização e Sindicato das Cooperativas do Estado do Paraná, a questão dos transgênicos vai além do plantio e comercialização da soja. “Estamos falando de biotecnologia e biosegurança do Brasil”, disse Rodrigues. No que poderia ser interpretado como uma defesa de organismos geneticamente modificados, acentuou que o Brasil precisa investir em biotecnologia “para que não fiquemos na dependência de empresas multinacionais”, numa clara referência à Monsanto, detentora da tecnologia do grão resistente ao glifosato RandUp. Ele falou que a comissão do ministério está trabalhando em conjunto com uma comissão de parlamentares, e o resultado desse trabalho será uma legislação que deverá eliminar quaisquer dúvidas sobre os produtos.

A liberação para o comércio de soja transgênica no País nesse ano, afirmou o ministro, foi para atender uma demanda de produção de cinco mil toneladas de soja, mas ainda não pode ser considerada como uma posição final. “Tudo vai depender da comissão que está estudando o assunto”, falou. Rodrigues ressaltou que o Brasil precisa ter uma definição sobre os transgênicos, pois até países que antes tinham restrições aos ogm estão revendo a posição. “Na Argentina, 98% da soja é transgênica, e é um país que mais cresce nas exportações. A União Européia, que se posicionava contra os transgênicos, está elaborando uma legislação sobre o assunto, que aborda a produção e rotulagem dos produtos”, afirmou.

Briga

Independente da posição do governo federal, o Paraná vai continuar brigando contra a produção de transgênicos no Estado, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti. “Não vamos nos sentir frustrados se não tivermos o pedido de área livre de transgênicos acatado. Isso vai tornar nosso trabalho mais pesado, mas não vamos abandonar nossa posição”, disse.

O pedido de cerca de 240 produtores do Estado para o plantio de ogm é um universo pequeno perto das mais de 100 mil propriedades rurais do Paraná, avalia Pessuti. Ele admitiu que o plantio clandestino pode acontecer, mas serão identificados através de análises de amostras que a secretaria irá fazer nas lavouras.

Cooperativismo comemora

O sistema de cooperativas do Paraná está comemorando um crescimento de 25% no faturamento. Os valores atingiram R$ 14 bilhões em 2003, sendo que o setor agropecuário corresponde a 85% desse resultado. As exportações também cresceram, passando de US$ 642 milhões para US$ 800 milhões – com destaque para setores como aves, suínos e óleo de soja. Com esse resultado, o Paraná responde por 59% de todas as exportações do País.

O presidente da Ocepar (Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná), João Paulo Koslovski, ao abrir ontem, no Cietep, em Curitiba, o Encontro Estadual de Cooperativismo, ressaltou que o Estado vem mantendo crescimentos satisfatórios desde o início da década de 90, e até o ano passado registrava um acumulado de 120%, enquanto a média nacional foi de 85%. Esses resultados, garante Koslovski, estão ligados aos investimentos do cooperados. Em 2003 foram investidos em infra-estrutura e agroindustrialização cerca de R$ 450 milhões. Para o ano que vem esse investimento passará de R$ 500 milhões.

Para o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues – que também participou da abertura do evento – a posição do Paraná demonstra a importância do Estado para a economia do País, e reforça cada vez mais a idéia do cooperativismo como forma de fortalecimento. Rodrigues ressaltou que o Brasil vai colher uma safra recorde esse ano, com 122 milhões de toneladas. A expectativa para o ano que vem é que esse número salte para 130 milhões de toneladas.