O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, informou nesta tarde que a carga de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) bateu novo recorde hoje, atingido o pico de 70.170 megawatts (MW) às 14h58. É o terceiro dia seguido de recordes na carga, segundo o ONS, um reflexo das altas temperaturas e da retomada na produção industrial.

O calor, inclusive, está provocando mudanças na curva diária de consumo, criando dois “horários de pico”: o momento logo após ao almoço, com alto consumo industrial e de aparelhos de ar condicionado, e o tradicional horário de pico, no início da noite, quando aumenta o consumo residencial. Chipp diz que o consumo se manterá em alta enquanto durar o calor, mas afastou riscos de racionamento, uma vez que os reservatórios das hidrelétricas estão cheios (em valores aproximados, 77% no Sudeste/Centro Oeste, 71% no Nordeste, 90% no Norte e 97% no Sul). “É a melhor situação dos últimos 10 anos”, afirmou o executivo, citando estudo do governo que indica que há sobra de energia até 2014.

O operador, no entanto, vem despachando um grande volume de energia térmica, para compensar a redução na capacidade do sistema de transmissão de Itaipu, que passa por reparos após o apagão de novembro do ano passado. Ontem, as usinas térmicas geraram 2.472 MW. Nesse ritmo, a geração térmica custa ao consumidor cerca de R$ 5 milhões por semana. As usinas devem funcionar até abril, quando o sistema de transmissão de Itaipu estará pronto para operar a plena carga. “Esse é um custo que vale à pena pagar, porque o custo de um blecaute não dá para precificar”, defendeu Chipp.