A procura por imóveis novos em Curitiba acontece em uma velocidade maior que o mercado consegue suprir. É o que concluem representantes de empresas do ramo.

Para eles, o índice de Venda de Imóveis Novos Sobre a Oferta (VNSO), na capital paranaense, está maior que o estimado pelo setor. De acordo com o indicador, 10,7% das unidades lançadas são vendidas em até um mês. Mas as empresas vinham trabalhando com uma taxa em torno de 8%.

Para o presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), Gustavo Selig, a taxa de velocidade de vendas deve continuar alta pelo menos nos próximos quatro anos.

Segundo ele, o aumento no índice foi mais expressivo nos últimos três meses, mas desde o início do ano já era possível perceber mudanças no mercado. Selig atribui o crescimento abrupto principalmente à estabilidade da economia e a maior facilidade que os consumidores vêm tendo para obter linhas de crédito.

O presidente da Ademi-PR lembra que há cinco anos, por exemplo, os consumidores não tinham como acessar tantas opções de financiamentos como hoje, quando é fácil encontrar crédito a juros relativamente baixos, entre 6% e 12% ao ano.

Porém, nem só o crédito é responsável pelo fenômeno. De acordo com Selig, hoje existe maior diversidade de produtos, e ao mesmo tempo uma grande demanda reprimida, criada em anos anteriores.

Selig lembra que o mercado imobiliário trabalhou por muito tempo com um índice de velocidade de vendas de 5%. Isso aconteceu em um grande período de estagnação do setor em Curitiba, entre 1999 e 2005.

Agora, mesmo com o índice VNSO mais que dobrado e acima do percentual considerado ideal, de 8%, ele avalia que ainda há espaço para mais crescimento. O dirigente acredita que a taxa possa alcançar um teto de até 12% nos próximos anos.

O diretor geral da Galvão Vendas, Gerson Carlos da Silva, confirma que todos os lançamentos imobiliários da empresa têm sido vendidos muito rapidamente, principalmente os imóveis de menor valor.

Valor

“As pessoas não têm tanta urgência para comprar os de maior padrão, pois já estão morando bem. A decisão, então, é mais lenta que na compra do primeiro imóvel”, informa. Ainda assim, ele comenta que as vendas de unidades mais caras também estão acontecendo com mais rapidez que o normal.

Silva diz que a espera pode começar até antes do lançamento dos imóveis. Ele menciona um prédio no Batel, com cerca de 100 unidades de dois ou três quartos, que nem foi lançado e já tem uma lista de 350 interessados.

“A chance de sucesso é alta”, afirma. E a velocidade não é maior só nos imóveis residenciais. Silva cita o caso de um empreendimento comercial no Bigorrilho, lançado recentemente, que teve todas as 280 unidades vendidas em apenas uma semana.

O executivo tem a mesma opinião de Selig em relação ao grande papel do crédito e da economia mais estável nessa explosão dos índices. Mas adiciona que o modelo de vendas das empresas do ramo também mudou, nos últimos anos.

“Podemos vender um empreendimento inteiro em uma semana, mas teve todo um trabalho anterior, desde a escolha do terreno, o desenvolvimento do produto, a planta, o acabamento, as condições de pagamento”, explica.