A cadeia produtiva do milho, tendências de mercado e comercialização da safra foram alguns temas discutidos ontem durante um seminário estadual da cultura. O evento reuniu membros do Grupo de Trabalho do Milho – formado por entidades representantes das cooperativas do Paraná, Federação da Agricultura e sindicatos de suinocultores e avicultores.

De acordo com a engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Vera Zardo, o Estado deverá ter uma oferta de 12 milhões de toneladas de milho, para uma demanda de 11,5 milhões. Apesar do Paraná ser o maior produtor da cultura no Brasil, ainda sofre com a liquidez, que vem fazendo com que muitos produtores acabem migrando para outras culturas. Outro problema é que, para ganhar mercado, muitos estão exportando o produto, e isso deverá refletir na cadeia produtiva do milho. Vera Zardo defende que o governo Federal precisa definir políticas mais claras para a cultura a fim de evitar o desabastecimento do mercado interno.

Hoje, o maior mercado consumidor de milho no Paraná é a avicultura, cujo setor de corte absorve uma média de três milhões de toneladas do produto. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas no Paraná, Domingos Martins, não acredita que possa faltar produto, porém entende que a supervalorização do milho, como aconteceu no ano passado, poderá comprometer os preços da cadeia. Em 2002, o preço da saca de milho chegou a R$ 26 contra os R$ 16 praticados hoje. Martins defendeu os mesmos tratamentos fiscais e econômicos dados as cooperativas para o setor. Além disso, disse que o Paraná poderia criar formas de financiamento para a construção de armazéns para o armazenamento do milho.

O presidente da Associação Paranaense de Suinocultores, Romeu Carlos Royer, também defendeu uma política mais específica para a cultura. Ele ressaltou que o Grupo de Trabalho do Milho propôs no ano passado que as entidades da cadeia produtiva sejam consultadas antes de enviar o produto paranaense para outros estados. Mas para isso, ainda dependem da regulação do governo do Estado. “Esperamos que o atual governo se sensibilize com a idéia, que visa justamente regular o mercado interno e evitar o desequilíbrio da cadeia”, disse.