O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse hoje que os desembolsos do banco para este ano podem ultrapassar os de 2009, quando foram liberados R$ 137 bilhões. A previsão feita no início do ano era de que os desembolsos cairiam ligeiramente em 2010 por causa da demora na criação de mecanismos de incentivo ao crédito de longo prazo no sistema financeiro privado e por meio do mercado de capitais.

O executivo disse que o governo esperava ter tirado antes do papel as medidas em estudo para aliviar a demanda do BNDES, mas os planos foram prejudicados por fatores como a complexidade da capitalização da Petrobras. Em palestra na sede do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) Coutinho afirmou que o banco está pronto para desempenhar seu papel para viabilizar o pacote de medidas especialmente no apoio a operadores de mercado para dar maior liquidez a emissão de títulos como debêntures corporativas. Segundo Coutinho, o plano deverá ser apresentado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nos próximos dias. No entanto, observou que o “timing” dependerá dos ministros da área econômica.

Coutinho afirmou que o crédito deverá fechar o ano em 49,5% do PIB. Para ele, esta variável da economia tem potencial para alcançar 70% do PIB em 2014, impulsionando o crescimento econômico nos próximos anos em uma média de pelo menos 5% ao ano. Ele apresentou dados do banco que estimam investimento no setor industrial de R$ 549 bilhões até 2013.

Coutinho também destacou o potencial de investimentos gerados pela Petrobras na cadeia produtiva da exploração de petróleo e gás entre 2011 e 2014. Segundo ele, o setor deverá receber investimentos de R$ 406,6 bilhões neste período, com destaque para o setor de máquinas e equipamentos (R$ 233,3 bilhões).