A desvalorização do yuan gera impactos pelas economias africanas, levando as moedas locais a desvalorizar e aumentando a expectativa de que o maior parceiro comercial do continente possa reduzir seu apetite por itens que vão do petróleo ao vinho.

Na África do Sul, o rand atingiu sua mínima em 14 anos, a 12,90 rands ante o dólar na sexta-feira, ampliando uma queda de 1,8% desde 10 de agosto e de 11,6% neste ano. As moedas de outros países africanos com laços fortes com a China, como Angola e Zâmbia, também recuaram fortemente, após Pequim desvalorizar o valor do yuan em 2% ante o dólar na semana passada.

A demanda chinesa pelo petróleo angolano, pelo cobre zambiano e pelo ouro sul-africano impulsionou uma forte alta no comércio, acelerando o crescimento, mas deixando as economias expostas às mudanças políticas de Pequim.

Em 2013, o comércio da África com a China foi estimado em US$ 211 bilhões, de acordo com documento de junho do Banco de Desenvolvimento Africano em junho. O resultado é mais que o dobro do comércio do continente com os EUA. Em comparação, há 15 anos, os EUA comerciavam até três vezes mais com a África que a China.

Agora, o yuan mais fraco gera o temor em alguns países africanos de que o poder de compra da China será erodido e de que a segunda economia do mundo pode estar desacelerando ainda mais que o sugerido pelas estatísticas oficiais.

A economista-chefe para África do Standard Chartered, Razia Khan, disse que a medida da China acontece num momento difícil para muitas economias africanas, afetadas pela volatilidade que leva muitas moedas regionais a desvalorizar, enquanto os preços do petróleo caem e o dólar se valoriza. Segundo ela, os países com uma pauta de exportações específica “estarão em desvantagem substancial”.

Angola enfrenta a falta de moeda estrangeira, a queda no petróleo e a demanda fraca da China. A receita de exportações para a China representa quase todo o saldo do país com exportações e também gera quase toda a receita pública.

Na Zâmbia, as minas de cobre estão demitindo trabalhadores ou até fechando, por causa de problemas de falta de energia, que tornam muito custosa a produção, enquanto a queda na demanda na China leva os preços a patamares próximos às mínimas em seis anos.

Os produtores sul-africanos de ouro, vinho e outros produtos dizem que a demanda mais baixa na China significa que é menor a esperança de reverter um cenário de quatro anos de fraqueza econômica. O Ministério das Finanças da África do Sul prevê que o país cresça apenas 1,9% neste ano.

O executivo-chefe da La Motte, uma vinícola próxima da Cidade do Cabo, Hein Koegelenberg, disse que a demanda da China está diminuindo. Também diretor da L’Huguenot, um selo de vinhos sul-africanos voltado para o mercado chinês, Koegelenberg prevê que “no próximo ano ou nos próximos dois será bem difícil” o cenário para vendas para a China.

Alguns países africanos podem se beneficiar de um yuan mais fraco, que reduz o custo de produtores chineses e de serviços que eles importam. Países do leste africano, entre eles Etiópia, Quênia e Moçambique, têm registrado grandes déficits comerciais nos últimos anos, com a compra de tratores feitos na China e de linhas elétricas, além de material para a construção de rodovias e estações de energia.

A diversificada economia queniana pode ganhar com o yuan mais fraco, segundo economistas. A China é a segunda maior fonte de importações para o Quênia e compradores de maquinário chinês pesado disseram que avaliam a possibilidade de pagar suas compras em yuan e não com dólares. Fonte: Dow Jones Newswires.