Apesar de conquistarem uma fatia maior do mercado de trabalho curitibano em 2009, as mulheres ainda têm um desafio a ser superado: o salário inicial chega a apenas 80% do que os homens recebem. Números do ano passado mostram que, das quase 18,9 mil novas vagas abertas na capital paranaense no período, 10,1 mil, ou 53,5%, foram ocupadas por mulheres. Ao mesmo tempo, porém, o salário inicial delas foi, em média, de R$ 681,40, enquanto o dos homens ficou em R$ 841,80.

O estudo detectou, ainda, que a maior parte dos novos postos de trabalho ocupados por mulheres estava, no ano passado, no setor de serviços. O segmento respondeu por mais da metade das vagas preenchidas por elas: foram quase 5,5 mil postos, ou 54,3% do total. Em segundo lugar veio o comércio, com 2.3 mil vagas (22,9%).

As informações fazem parte do Relatório Especial sobre a Mulher no Mercado de Trabalho de Curitiba, elaborado pelo Observatório do Trabalho de Curitiba e divulgado na última semana. O Observatório é um centro de estudos fruto de uma parceria entre a Prefeitura de Curitiba e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Remuneração

Se considerado apenas o município de Curitiba, a pesquisa apontou que, em janeiro de 2009, as mulheres eram 47,6% do total dos empregados. A remuneração média também era inferior à masculina: R$ 1.724,10, contra R$ 2.167,20 recebidos pelos homens. A proporção é equivalente à percebida no salário inicial dos novos empregos, com a remuneração feminina sendo equivalente a 80% da masculina.

A defasagem acontece mesmo com as mulheres empregadas tendo um maior grau de instrução que os homens. Em Curitiba, 32,7% delas têm superior completo, enquanto entre os homens a porcentagem cai para apenas 18,6%. Curiosamente, é nesse nível de instrução que o salário delas (R$ 3.118) tem a maior diferença em relação ao deles (R$ 5.126,10). As mulheres, no caso, ganham apenas 61% do salário dos homens.

Ainda assim, a pesquisa vem detectando uma melhora na remuneração média e nas contratações das mulheres: entre janeiro de 2008 e o mesmo mês de 2009, houve um crescimento de 5,6% no número de vagas ocupadas por mulheres, e os salários médios aumentaram 23,9%. Entre os homens, as vagas e os salários tiveram aumento, mas ambos foram menores: 3,6% e 15,5%, respectivamente.

Profissões

A pesquisa do Observatório do Trabalho também apontou as 10 principais ocupações entre as mulheres. O maior número foi de escriturárias, agentes, assistentes e auxiliares administrativas, com mais de 60,1 mil mulheres, que em 2008 recebiam em média quase R$ 1,8 mil por mês (84% do salário masculino médio nessas profissões). Nesse grupo, a única função em que as mulheres ganham mais que os homens é a de professora de língua e literatura do ensino superior: as cerca de 8,6 mil mulheres trabalhando nessa profissão ganham 3% mais que os homens. Entre as técnicas e auxiliares de enfermagem a remuneração é quase equivalente, com as mulheres ganhando 97% do que recebem os homens.

Desocupação

A proporção de mulheres ocupando as vagas abertas no ano passado acompanhou, de certa forma, o índice de mulheres na população de Curitiba e Região Metropolitana. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008, 52,2% dos habitantes da região são mulheres. No entanto, se considerada a população economicamente ativa, a porcentagem cai: nesse caso, a participação das mulheres fica em 46,4%. Ao mesmo tempo, do total de 101 mil desocupados na Grande Curitiba, 57 mil (ou 56,4%) são mulheres. Enquanto entre os homens a taxa de desocupação é de 4,5%, a taxa feminina chega a 6,8%.