O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse hoje que não descarta a hipótese de uma guerra cambial global, mas acredita que isso é improvável. Como uma tendência potencial, Strauss-Kahn disse que essa é uma preocupação, “mas eu não sinto hoje que exista um grande risco de uma guerra cambial”, completou.

Após a recente intervenção do Japão no mercado de câmbio para conter a alta do iene, o ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, disse acreditar que o mundo está envolvido em uma guerra cambial e comercial, com países procurando vantagens ao manipular suas moedas.

Segundo Mantega, governos de vários países, incluindo Estados Unidos e Japão, estão permitindo a desvalorização de suas moedas a fim de conquistar mercados em países que apresentam um bom desempenho interno de suas economias, como é o caso do Brasil. O ministro ressaltou que na próxima reunião do G-20 ele levará às autoridades do grupo a manifestação de que a gestão cambial precisa ser muito mais harmoniosa entre seus participantes. “Eu acho que o câmbio flutuante é o melhor sistema, mas precisa ser flutuante para todo mundo”, comentou.

O diretor-gerente do FMI disse que autoridades do fundo e do G-20 estão trabalhando ativamente para evitar tal batalha global de depreciações cambiais competitivas, e que o assunto será discutido nas próximas reuniões do grupo.

Dadas as potenciais repercussões – especialmente em meio a uma frágil recuperação e com o FMI solicitando uma cooperação internacional para reequilibrar a economia global – Strauss-Kahn afirmou que a probabilidade de uma guerra de depreciações cambiais “é bastante baixa”. “Não se pode esperar nada de bom de uma intervenção no câmbio. A história mostra que o efeito desse tipo de medida não dura muito”, comentou. Segundo ele, ou uma intervenção discreta é ineficaz, ou uma medida mais forte gera retaliações destrutivas. As informações são da Dow Jones.