Obra reivindicada permitiria operação de aviões de grande porte, o que hoje não é possível.

Na próxima sexta-feira, mais um capítulo da ?novela? das obras de melhorias na capacidade operacional do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, vai ser escrito. A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) convidou o diretor de Planejamento e Infra-Estrutura da Infraero, Eduardo Ballarin, para uma discussão sobre a possível construção de uma terceira pista no aeroporto, assunto que vem sendo debatido há mais de dez anos.

A terceira pista permitiria a circulação de aviões de grande porte. Mas até agora, o que está previsto no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é apenas a ampliação da pista principal e do terminal de carga do aeroporto. Um estudo da Fiep aponta que a construção da terceira pista ampliaria em 100% a capacidade operacional do aeroporto, incrementando as exportações.

Para o Conselho Temático de Infra-Estrutura da Fiep, a construção da terceira pista é a obra mais importante. Como explica o coordenador do Conselho, Paulo Ceschin, a ampliação da pista principal também deve ser feita, mas não ajudaria muito, na medida em que ela não recebe aviões de grande porte. Segundo ele, o Paraná perde muito em não ter um aeroporto com capacidade para cargas grandes.

Um relatório feito pela Fiep aponta que apenas 3% do total das 14 mil toneladas de produtos industrializados exportados pelo Paraná saem do estado via Afonso Pena. A quantidade é tão pequena por conta da baixa capacidade do aeroporto. ?Hoje temos um problema sério de custo nas exportações, pois tudo que resta tem que ir para Campinas, já que o Afonso Pena não comporta. Além do custo do frete, temos a questão do tempo, que também atrapalha muito?, afirmou.

Entretanto, a construção da terceira pista pode ser apenas uma utopia, pois segundo informações da Infraero, não há informações sobre isso ainda e o PAC não prevê a obra. Ainda segundo a Infraero, as obras incluídas no PAC (a ampliação da pista principal e do terminal de cargas) também não têm data para serem iniciadas. Isto porque a ampliação está dentro de um ?pacote? de melhorias no aeroporto, que incluem não só a ampliação, mas também obras no pátio, nas vias de serviço e nas pistas de táxi (o que também está longe de ser feito).

Um estudo de impacto ambiental exigido para este ?pacote? já foi apresentado ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que emitiu um licença prévia para as obras (em janeiro deste ano) e, em seguida, foi realizada uma licitação. Porém, esta licitação, como informa a Infraero, não inclui a ampliação da pista, apenas o resto do ?pacote?. Uma licitação também já está em andamento para a ampliação do terminal de carga.

Pelo Afonso Pena saem vários produtos industrializados, principalmente peças automotivas (um total de cerca de um milhão de quilos no primeiro trimestre deste ano). A Infraero não informou o custo da ampliação da pista principal, mas o que é previsto no PAC seriam R$ 120 milhões para o ?pacote?. O edital de licitação é de R$ 27 milhões. Já para a ampliação do terminal de carga, o valor destinado pelo PAC seria de R$ 10 milhões, mas a licitação que está em andamento é de R$ 6 milhões.

A Infraero não fez um levantamento para saber quanto incrementariam as exportações depois das obras. A reunião, que vai acontecer na Sala dos Conselhos do Cietep, será das 14 às 16 horas. O diretor da Infraero vai fazer uma palestra sobre o assunto e, depois disso, os empresários poderão questioná-lo.