Rio (AE) – O presidente da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Roger Agnelli, cobrou do governo federal a solução para os entraves que impossibilitam os investimentos privados em novos projetos de geração de energia. De acordo com ele, o custo do transporte de energia é um dos itens que inviabilizam a participação da iniciativa privada. ?A disponibilidade de energia é crucial para o crescimento econômico do País?, afirmou.

Ele reiterou que a Vale gostaria de continuar investindo em novos projetos, mas a decisão esbarra nas dificuldades impostas pelos órgãos ambientais para a concessão de licenças. ?O meio ambiente não pode ser usado como instrumento ideológico ou de pressão?, afirmou.

Conforme Agnelli, além dos entraves impostos pela legislação, o custo de transporte, da ordem US$ 80 por megawatt-hora (MWh) é um dos mais elevados do mundo. ?O Brasil está perdendo competitividade de forma silenciosa e contínua?, reiterou. Este, segundo ele, será um dos fatores de risco para que o país consiga ampliar a produção de metais no longo prazo.

O diretor-geral de energia da Votorantim Metais, Otávio Rezende, disse que os investimentos feitos pelas empresas em autoprodução visam ao gerenciamento de custos para ampliar as exportações de metais. ?É impossível crescer sem energia, mas o que mais assusta os investidores é a incerteza?, apontou.

Apagão

Ambos os executivos enfatizaram que o risco de desabastecimento de energia nos próximos cinco anos é alto, se não houver uma vontade política para liberar os empreendimentos. ?O capital privado é capaz de gerar energia no prazo, se houver uma ação do governo?, disse Rezende. Ele lembra que para 1% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), são necessários 1,3% de incremento na geração de energia. Dessa forma, a meta de crescimento econômico em 5%, demandaria um acréscimo na capacidade de 6,5%.

A Vale ainda aguarda a liberação das licenças de instalação das usinas de Estreito, que será instalada entre os estados do Tocantins e Maranhão, em parceria com a Alcoa e Tractebel, para uma capacidade de 1.087 MW. De acordo com ele, atualmente a companhia possui uma capacidade de autoprodução que supre 15% da demanda. A meta de atingir o patamar de 50% até 2010 ?é impossível de ser cumprida?. Já a Votorantim tem como meta atingir o patamar de 60% em geração própria.

Agnelli afirmou que a Vale continuará pesquisando fontes alternativas de energia. Uma das saídas seria a instalação de usinas térmicas a carvão no Brasil, que não têm custo de transporte de energia. A companhia já entregou ao governo de Moçambique os estudos de viabilidade técnica e financeira para a exploração de carvão em Moatize.

Os executivos participaram ontem da solenidade de inauguração do Complexo Energético Capim Branco, composto pelas unidades Capim Branco I e II e que conta com potência instalada para a geração de 450 MW. A primeira unidade já está operando a plena carga e a segunda deverá entrar em operação em janeiro de 2007. O empreendimento, localizado no Rio Araguari, demandou investimentos da ordem de R$ 1 bilhão. O consórcio empreendedor foi formado pela Vale (com 48,4% de participação), Cemig (21,1%) Comercial e Agrícola Paineiras, do grupo Suzano (17,9%) e Votorantim Metais (12,6%).