Brasília

(AE) – A dívida pública em títulos de curto prazo já aumentou em R$ 50,9 bilhões este mês. Esse volume, corresponde a 8% do estoque do endividamento, que fechou maio em R$ 639,39 bilhões. Em menos de um mês, foram acrescidos R$ 23,4 bilhões aos vencimentos de 2002 e R$ 27,5 bilhões aos de 2003. O encurtamento dos prazos é resultado das operações de troca de papéis emitidos pelo governo para pagamento após 2003 por títulos com vencimento mais próximos.

Essas operações foram feitas nas últimas semanas pelo Banco Central (BC) para tentar debelar a onda de nervosismo que tomou conta do mercado financeiro e que ganhou contornos mais dramáticos depois que os investidores passaram a desconfiar da capacidade de o País honrar os pagamentos da sua dívida, o que elevou o aumento do risco-Brasil. Os investidores passaram a rejeitar papéis com vencimento previstos para vencer no próximo governo.

O resultado imediato do encurtamento dos prazos dos títulos é o aumento da parcela da dívida com vencimento em 12 meses. Esse é um dos principais indicadores observados pelas agências de classificação de risco. O coordenador-geral de Administração da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Paulo Valle admitiu ontem que as trocas farão com que o volume de títulos com vencimento em 12 meses suba para até 30% do estoque total da dívida até o final deste mês. Em maio, esse porcentual chegou a 27,76%.

As recentes trocas feitas pelo BC incluem papéis com rentabilidade pós-fixada (LFTs) e títulos com correção cambial, com vencimentos em 2003, 2004, 2005 e 2006. Segundo o chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto (Demab) do BC, Sérgio Goldenstein, o volume de vencimentos previstos até o final do ano, depois das trocas, é de R$ 112 bilhões.

Pelos cálculos do BC, foram trocados até agora R$ 19,4 bilhões de LFTs, com prazo de resgate de 2003 a 2006, por outras com vencimento em outubro e novembro deste ano. Desse total, R$ 15,3 bilhões são referentes a trocas de LFTs de 2003 e R$ 5,1 bilhões de papéis com vencimento de 2004 a 2006. O BC também trocou até agora R$ 3 bilhões de títulos cambiais que venciam em 2004 e 2005 por outros com vencimento ainda em 2002.

Para o próximo ano, o Banco Central adicionou aos vencimentos já previstos um volume de R$ 27,5 bilhões em títulos. Desse total, R$ 23,5 bilhões foram trocas envolvendo LFTs e os R$ 4 bilhões restantes papéis com correção cambial.

O chefe do Demab evitou fazer considerações sobre a recomendação do FMI, mas destacou que, no ano passado, quando a dívida cambial sofreu um forte aumento a partir de setembro, a situação era outra. Segundo Goldenstein, naquele momento a elevação da dívida ocorreu não somente em razão da desvalorização do real, mas também pela emissão líquida de cerca de R$ 25 bilhões de títulos cambiais.