São Paulo – Depois de dois dias em queda, o dólar comercial voltou a fechar em alta, ontem, se aproximando novamente dos R$ 2,90. A moeda americana encerrou a quinta-feira com valorização de 1,01%, cotada a R$ 2,887 na compra e R$ 2,892 na venda. Pelo menos dois motivos contribuíram para a pressão: o início da rolagem de uma dívida de US$ 2,7 bilhões que vence no dia 17 de julho e as dúvidas sobre o rumo que tomará a reforma da Previdência.

Logo depois de anunciado o resultado do primeiro leilão de swap cambial, por volta das 14h30, a moeda, que pela manhã atingiu a máxima (vendida a R$ 2,907), perdeu um pouco o ritmo, mas continuou em elevação. O Banco Central (BC) renovou 35,8% da dívida com a venda de US$ 973,6 milhões em contratos de swap cambial. O leilão dos 33.600 contratos teve sete vencimentos diferentes. Se vendesse os US$ 1,55 bilhão ofertados, a instituição teria rolado 57,4% da dívida. O Banco Central tem ainda mais uma oportunidade para realizar um novo leilão, mas, por enquanto, nada foi anunciado.

Para José Roberto Carreira, gerente de câmbio da Corretora Novação, o mercado recebeu bem o percentual de rolagem, mas a moeda manteve pressão por causa das incertezas no cenário político. Ele disse que a administração petista está fazendo concessão demais no acordo para a reforma da Previdência. Ontem, os líderes governistas fecharam acordo para manter a aposentadoria integral para o funcionalismo público, enfraquecendo a proposta original do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

– As reformas continuam em pauta. Tudo pode ficar como antes, sem mudanças para os aposentados e o judiciário, por exemplo. O governo poderá não conseguir equacionar as suas contas e tudo o que for arrecado se direcionar para o pagamento de salários – alertou Carreira.

Os títulos brasileiros negociados no exterior iniciaram o dia em alta, mas não conseguiram resistir à pressão. O C-Bond, principal título brasileiro negociado no exterior, apresentava às 17 horas queda de 0,49%, para 87,37% de seu valor de face. O Global 40, título de longo prazo, registrava no mesmo horário redução de 0,28%, para 89% de seu valor de face. Somente o risco-país, que mede a percepção do investidor estrangeiro na economia brasileira, se mostrava com bom desempenho. O EMBI+ brasileiro, calculado pelo banco J.P. Morgan, caiu – no final da tarde -1,57%, para 814 pontos.