O dólar atingou ontem o menor valor desde 10 de junho de 2002. A moeda americana caiu 0,68%, vendida a R$ 2,647. Nem o leilão de compra de divisas feito pelo Banco Central inibiu o tombo da cotação. A queda do dólar no Brasil acompanha a tendência externa. A moeda americana cai lá fora frente ao euro após a divulgação de uma taxa de crescimento dos EUA em 2004 abaixo do esperado pelos analistas.

Já a Bovespa mergulha em uma espiral de perdas pelo segundo dia consecutivo. Abalada pela ameaça do Banco Central de promover um minichoque nos juros para inibir o crescimento da economia e abater a inflação, a bolsa já acumula baixa de 9% no primeiro mês do ano. Nesta sexta-feira, o Ibovespa (53 ações mais negociadas) caiu 1,26%, aos 23.724 pontos.

Há diversos fatores internos e externos inibindo o apetite por ações e elevando as incertezas no mercado: na próxima quarta-feira, o BC dos EUA deve anunciar mais uma alta do juro; as pressões para a China valorizar sua moeda (yuan) devem crescer na reunião do G7 (países ricos) em Londres no próximo mês; é aguardada uma reforma ministerial no governo Lula e ainda circulam rumores de mudanças na diretoria do BC.

No Brasil, ganham força os rumores sobre a saída dos diretores do BC Alexandre Schwartsman (Assuntos Internacionais) e Afonso Bevilaqua (Política Econômica). Um dos cotados para assumir um cargo no BC é o economista Márcio Gomes Pinto Garcia, da PUC do Rio. Analistas não esperam turbulências com a confirmação da alteração. São citados motivos pessoais para a troca, mas há também comentários de que o Planalto teria pressionado por uma mudança. O BC possui oito diretores, além do presidente Henrique Meirelles.

Dólar sobrevalorizado

Se por um lado a queda do dólar é positiva para aliviar as importações de matérias-primas e, por tabela, reduzir a pressão sobre a inflação, o real forte pode prejudicar o saldo da balança comercial no futuro. É por isso que os exportadores reclamam da queda do dólar, pois eles faturam menos na conversão da moeda.

Estima-se que o dólar ainda está 20% sobrevalorizado em relação a moedas dos parceiros comerciais dos EUA. Ou seja, há ainda muito espaço para depreciação da moeda norte-americana, de forma a tornar mais competitiva a sua exportação. Atualmente, o gigantesco déficit norte-americano nas transações com o exterior preocupa economistas e serve de especulações sobre uma iminente crise global. Lá fora, os investidores citam com insistência a expectativa com a reunião do G7 no próximo mês.