O dólar acumulou em agosto uma baixa de 3,58%. É a maior queda mensal desde junho do ano passado, quando recuou 4,17%. Ontem, a moeda norte-americana caiu pelo terceiro dia e terminou cotada a R$ 2,929, o menor valor desde o último dia 27 de abril (R$ 2,18). O rumor sobre um novo lançamento de títulos da dívida externa pelo Brasil foi um dos principais motivos para a queda de 0,57% do dólar, segundo o gerente de renda fixa do Banco Prosper, Carlos Cintra.

Na próxima semana, o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, e o diretor de assuntos internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman, farão uma viagem para a Europa, onde vão visitar grandes investidores institucionais. “O momento é excelente para uma emissão”, disse Cintra, em referência à queda das taxas dos títulos do Tesouro dos EUA, o que favorece a migração de recursos para papéis de países emergentes.

Um dia após atingir o menor patamar em sete meses, o risco-Brasil, que mede a remuneração média dos títulos da dívida externa do País, subiu ontem mais de 2%, ficando em torno de 520 pontos.

Segundo o diretor da Corretora López Leon, Felipe Brandão, a alta do risco brasileiro refletiu um movimento de realização de lucros. “Há gente vendendo no mercado secundário para comprar os novos títulos no mercado primário em caso de confirmada a captação.”

Para o diretor do Banco Prosper, a captação soberana é importante para o governo, pois os recursos da venda dos títulos devem reforçar as reservas internacionais do País -um dos focos da fragilidade externa. “O fim das férias nos EUA e na Europa também abre espaço para captações privadas”, afirmou Cintra.

Nos últimos três meses, o dólar entrou em uma tendência de baixa refletindo a volta das captações de recursos no exterior por empresas e bancos. Também contribuíram para o alívio nas cotações a maior entrada de divisas com o aumento das exportações e a avaliação de que os países emergentes, como o Brasil, não devem sofrer tanto com o processo de alta dos juros nos EUA.

A Bovespa fechou em queda de 0,29%, movimento financeiro de R$ 1,128 bilhão em 22.803 pontos.