São Paulo – O dólar andou na contramão dos demais mercados e fechou ontem em baixa de 0,17% frente ao real, negociado por R$ 2,86 na compra e R$ 2,87 na venda. O fluxo cambial positivo mais uma vez determinou o equilíbrio da cotação, mesmo em meio ao desempenho negativo dos mercados de ações e de títulos da dívida externa. O C-Bond caía 0,57% no final da tarde, cotado a 96,68% do seu valor de face. O risco-país brasileiro subia 2,06%, aos 544 pontos-base. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 2,72%, movimento de R$ 940 milhões com 22.443 pontos.

Não tem novidade no mercado de câmbio, onde o fluxo é quem manda. Com ingressos maiores que as remessas e a expectativa cada vez maior de que o governo faça uma emissão de títulos, o dólar não tem fôlego para subir – disse Hélio Ozaki, diretor de câmbio do Banco Rendimento.

Ozaki explica que a emissão de títulos neste mês é oportuna para o país não apenas pelo vencimento de US$ 3 bilhões em papéis brasileiros no exterior, mas também porque um possível aumento de juros nos Estados Unidos poderia diminuir a oferta de recursos aos países emergentes.

O fluxo positivo no câmbio é garantido pelas exportações e pela ausência de procura por ??hedge?? (proteção). Devido à baixa procura, o Banco Central optou por pagar integralmente a dívida pública de US$ 860 milhões que vence no dia 15. A dívida é considerada pequena e não deve interferir nas cotações do dólar. A expectativa de ingresso de recursos via captações externas também ajuda a manter o dólar abaixo do suporte dos R$ 2,90.

As taxas de juros negociadas no mercado futuro fecharam em alta, com os investidores buscando o melhor posicionamento para esperar a definição dos juros básicos da economia. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na próxima semana para decidir sobre a taxa Selic, hoje de 16,25%. O mercado concentra as atenções na divulgação de índices de inflação, principais referências do Banco Central na definição da política monetária.

O destaque do dia foi a divulgação do IPCA de março, índice oficial de inflação. O índice apontou reajustes de preços da ordem de 0,47% em março, contra 0,61% em fevereiro. Apesar da desaceleração, a taxa ficou acima do previsto (0,40%) e apontou aceleração do núcleo da inflação, o que deixou o mercado mais cauteloso.

O Depósito Interfinanceiro (DI) de maio, que projeta os juros de abril, fechou com taxa anual de 15,85%, contra 15,79% do fechamento de anteontem. A projeção mostra que diminuíram as apostas em um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, prevalecendo a previsão de uma redução menor, de 0,25 ponto. O DI de julho fechou com taxa de 15,65% anuais, frente aos 15,52% anteriores. O vencimento de janeiro de 2005, o mais negociado, subiu de 15,11% para 15,22% anuais.