O mercado de câmbio reagiu bem ontem à melhora do “rating” da dívida soberana do Brasil pela Standard & Poor?s. No entanto, no final do dia, a moeda deu uma acelerada e fechou com alta de 0,27%, a R$ 2,876 na venda. Durante o dia, chegou a recuar 0,27%, voltando para R$ 2,866.

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo fechou estável, com tendência levemente positiva (+0,02%, aos 23.078 pontos), após registrar alta de 1,78% pela manhã. A melhora no rating da dívida brasileira teve reflexo nos títulos da dívida do país. O C-Bond – principal papel da dívida externa brasileira – tinha leve alta de 0,06% no final do dia, para 99,313% do seu valor de face. O risco-país do Brasil caía 1,93%, para 457 pontos básicos, menor patamar desde janeiro.

Os negócios foram estimulados durante a manhã pelo exercício de opções. O volume financeiro totalizou R$ 1,980 bilhão, inflado pelos R$ 672,3 milhões movimentados com exercícios de compra e de venda de opções.

Na avaliação de Jorge Kattar, do Banco Rabobank, é normal que a moeda suba um pouco após quatro quedas seguidas. Somente na semana passada, o dólar acumulou desvalorização de 1,2% em relação ao real. Alguns importadores aproveitam a cotação baixa para reforçar suas compras de divisas.

Segundo ele, o mercado já esperava a melhora da nota de crédito da dívida brasileira, o que fez a moeda recuar por vários dias seguidos. A S&P anunciou a melhora do rating brasileiro na sexta-feira passada, e o mercado já cogita um novo “upgrade” nos próximos meses.

Kattar considera que a tendência é ainda de melhora no câmbio. O analista avalia que a discussão em torno de um aumento da meta de superávit “é positiva” para o país e para o mercado.

Hoje, a meta de superávit é de 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto) e pode chegar a 4,5% em 2005.

Cautela

Apesar do otimismo no cenário interno, a expectativa com a reunião do Fed (Federal Reserve, BC dos EUA), que acontece hoje, gerou uma certa cautela.

Os analistas já esperam um aumento de pelo menos 0,25 ponto percentual na taxa de juro norte-americana, que está em 1,5% ao ano. A preocupação, porém, gira em torno do comunicado do presidente do Fed, Alan Greenspan no anúncio da decisão.