Foto: Arquivo/O Estado

Pessoas à procura de oportunidade de trabalho em agência do Sine/PR.

O Paraná deve encerrar o ano com geração de 80 a 85 mil empregos – volume maior do que o registrado no ano passado, quando o saldo foi de 72 mil vagas, mas menor do que o verificado em 2004, quando houve a geração recorde de 122,6 mil postos de trabalho. ?A economia está crescendo, mas ainda não está refletindo na geração de mais empregos?, analisou o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR).  

Conforme o levantamento do Dieese-PR, com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, o nível de emprego no Paraná cresceu 4,34% de janeiro a julho, resultando em 76.903 novas vagas – volume menor do que o registrado no mesmo período do ano passado (79,2 mil vagas).

?Com o aumento da renda das famílias – incluindo aí o aumento do salário mínimo, benefícios sociais do governo, negociações coletivas com aumento real e expansão do crédito -, esperava-se um aumento maior na geração de empregos. Mas o que vem ocorrendo é desaceleração?, analisou Cordeiro. Segundo ele, a expectativa é que no período entre setembro e novembro este quadro seja revertido. ?Esperamos, a partir de setembro, aumento no volume de contratações. Até o momento, as expectativas não se confirmaram?, comentou. Devido ao aumento de vendas do comércio no final do ano, a indústria está contratando temporários entre os meses de julho e agosto, enquanto o comércio concentra as contratações em outubro e novembro.

Entre os fatores que levaram ao crescimento abaixo do esperado, o economista cita o câmbio, que tem dificultado as exportações – especialmente do setor têxtil e da madeira e mobiliário – e incentivado as importações, acirrando assim a concorrência no mercado interno. No caso específico do Paraná, a crise da agricultura – também por conta do câmbio, que vem afetando os preços dos produtos agrícolas, e da estiagem – freou as contratações no campo. O resultado é que, nos últimos 12 meses, a agricultura registrou saldo negativo de 1.340 vagas no Paraná. O setor de madeira e mobiliário é outro que vem sofrendo os efeitos do câmbio – nos últimos 12 meses, o saldo negativo foi de 3 mil vagas.

Já no acumulado do ano (janeiro a julho), a indústria de alimentos e bebidas foi a que mais contratou no Paraná (17,7 mil postos de trabalho), seguida pela agricultura e silvicultura (10,2 mil), outros serviços (8,6 mil), hotéis e restaurantes (6,4 mil), comércio varejista (6,1 mil), construção civil (5,6 mil) e transporte e comunicação (3,4 mil). O único setor com queda foi madeira e mobiliário (-613 postos de trabalho).

Na comparação com outros estados, o Paraná ficou na sétima posição quanto à variação do nível de emprego, com crescimento de 4,34% – acima da média nacional de 4,14%.

Julho

Especificamente no mês de julho, o nível de emprego cresceu 0,38% no Paraná, com a geração de 6.999 postos de trabalho – a maior parte deles (61%) no interior do Estado. ?O desempenho no mês ficou dentro da média?, observou Cordeiro. Segundo ele, julho costuma ser o mês de transição entre o primeiro semestre, marcado pela maior geração de empregos, e o segundo, que costuma ter geração menor.

Entre os setores que mais empregaram no mês passado, destaque para o comércio varejista (804 vagas), hotéis e restaurantes (690) e construção civil (660). Já o ensino registrou queda de 357 vagas.

Desemprego em Curitiba é o menor de todo o País

A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) registrou em julho taxa de desemprego de 6,7%, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada ontem pelo Ipardes. O índice foi o menor do País e ficou abaixo da média nacional, calculada pelo IBGE em 10,7%.

A taxa da Grande Curitiba manteve-se praticamente estável em relação ao mês anterior, quando o índice foi de 6,8%, e apresentou uma queda na comparação com julho de 2005, período em que os desempregados representavam 7,6% da população economicamente ativa.

Grupos de atividade

As variações positivas no número de pessoas ocupadas segundo grupos de atividade foram as seguintes: construção (2,1%), intermediação financeira e atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas (3,4%), serviços domésticos (2,2%). Na outra ponta, as variações negativas vieram dos grupos comércio, reparação de veículos automotivos e de objetos pessoais, e domésticos e comércio varejista de combustíveis (-1,4%), Administração pública, defesa, seguro social, indústria extrativa e de transformação, produção e distribuição de eletricidade, gás e água (-2,5%), educação, saúde e serviços sociais (-0,9%) e outros serviços (alojamento e alimentação, transporte, serviços pessoais, e outros), com queda de 4,1%.

Das pessoas ocupadas em julho de 2006, 74,9% estavam na condição de empregados, 17,9% trabalhavam por conta própria e 5,8% eram empregadores.

Rendimento

Em julho, o número de pessoas em idade para trabalhar, na RMC, foi estimado em 2,516 milhões. Este contingente manteve-se estável em relação ao mês de junho deste ano, no entanto, o crescimento em relação a julho de 2005 foi de 2,9%, representando 71 mil pessoas. Deste total, 57,9% eram economicamente ativas (PEA), e 42,1% não economicamente ativas (PNEA), correspondendo, respectivamente, a 1,456 milhão e a 1,060 milhão de pessoas.

O rendimento médio real habitualmente recebido pelos empregados do setor privado com carteira assinada, no mês de julho de 2006, foi de R$ 928,60, valor superior em 7,3% quando comparado ao de julho/2005. O rendimento médio dos empregados do setor privado sem carteira assinada foi de R$ 562,40, valor inferior em 7,9% quando comparado a julho/2005.

Já os trabalhadores por conta própria apresentaram rendimento médio de R$ 996,10 no mês de julho/2006, apresentando aumento de 14,3% em relação a julho/2005. (AEN)