A possibilidade de uma "forte e duradoura" desvalorização do real com impactos no aumento da inflação é o que mais preocupa o governo neste momento de alta volatilidade dos mercados financeiros. Esse é o único aspecto negativo da análise feita na reunião de coordenação política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sete ministros, pelo potencial que tem para interromper a trajetória de queda das taxas de juros. O governo está atento à volatilidade do dólar, mas o consenso é por um cenário positivo.

Na reunião, Lula e os ministros avaliaram que o crescimento econômico sustentado pelo mercado interno, as reservas cambiais de US$ 160 bilhões e uma diversificação do comércio exterior permitem ao País enfrentar com maior tranqüilidade a recente turbulência. Atualmente, é menor a dependência do mercado americano, na medida em que o País, nos últimos anos, elevou suas exportações à Europa, América do Sul e Ásia. O que está por trás da preocupação do governo com a alta do dólar e o impacto na inflação é a possibilidade de o Banco Central interromper o processo de queda dos juros. Nos últimos meses, a diretoria do banco tem mantido o processo de queda permanente da taxa Selic.

Nos cenários analisados pelo governo, o comportamento do câmbio – o dólar voltou a R$ 2,03 – entra como fator de cautela, segundo um ministro. A alta do dólar nos últimos dias ainda não provoca aumento dos preços no mercado interno e, conseqüentemente, dos índices de inflação. "Estamos falando de desvalorização forte e duradoura do real", comentou. "Não há a preocupação porque o dólar passou de R$ 1,90 para R$ 2,00. Não é disso que estamos falando."

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo