Os efeitos da retração da demanda, provocada pela recessão, já começam a mostrar sua cara nos preços. A segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de agosto, divulgada mais cedo pela Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta deflação, no atacado, em produtos do complexo das carnes e de diversos bens de consumo.

“São vários grupos com deflação. Então, dá mais uma conotação de consequência de fatores macroeconômicos”, afirmou Salomão Quadros, superintendente adjunto da Superintendência de Preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV.

No geral, o IGP-M subiu 0,17% na segunda prévia de agosto, ante avanço de 0,71% na segunda prévia de julho. O IPA-M, que representa os preços no atacado, subiu 0,01% neste mês, em comparação com a alta de 0,76% na segunda prévia de julho. Essa desaceleração foi puxada pelos alimentos in natura, os alimentos processados, os produtos ligados à pecuária e os bens de consumo, segundo Quadros.

No atacado, os bovinos tiveram deflação de 2,76% em agosto. O minério de ferro, com -3,63%, também puxou o IPA-M para baixo. Outras deflações no atacado que podem ser relacionadas com a recessão da economia, de acordo com Quadros, são os artigos de utilidade doméstica (linhas branca e marrom, com -0,77%), artigos de higiene (-1,53%) e bebidas alcoólicas (-1,81%).

Por outro lado, a inflação de serviços ao consumidor segue pressionada, na avaliação de Quadros. O IPC-M, que mede os preços ao consumidor, avançou 0,27% na leitura anunciada hoje, ante 0,56% no mês passado. A FGV não calcula a inflação de serviços na segunda prévia do IGP-M, mas “está difícil de enxergar” um arrefecimento da alta desses preços, informou Quadros. “A inflação de serviços em 12 meses está muito parecida com o visto na virada do ano”, afirmou.