Funcionários da Eletrobras realizaram ontem paralisação de 24 horas em todo o País. O protesto serviu como advertência à empresa para que retome as negociações com os funcionários. A data-base da categoria venceu em abril, mas até agora não foi fechado acordo.

No Paraná, a paralisação atingiu aproximadamente 90% da categoria, segundo o secretário-geral do Sindicato dos Eletricitários de Curitiba (Sindenel), Ajaques da Silva. No Estado, a Eletrosul – subsidiária da Eletrobras – emprega cerca de 250 pessoas em Curitiba, Londrina, Laranjeiras do Sul, Guarapuava e Salto Osório.

Entre as reivindicações da categoria estão o reajuste salarial de 7,5% – incluindo ganho real de 3,5%, o mesmo índice que o setor elétrico cresceu no ano passado -, aumento do vale-alimentação de R$ 15,00 para R$ 20,00 e extinção da CCE-09 – uma emenda criada no governo Fernando Henrique Cardoso, que diferencia os trabalhadores novos dos antigos. Já a Eletrobras oferece 3% de reajuste salarial, reajuste do vale-alimentação pela inflação e a permanência da emenda CCE-09.

?No ano passado, a Eletrobras assumiu o compromisso de negociar a CCE-09, mas agora ela não quer falar sobre isso?, criticou Silva. Com a emenda, funcionários contratados a partir de 96 recebem em média de R$ 1,4 mil por mês, enquanto os antigos, que desempenham a mesma função, têm salário pouco acima de R$ 3 mil.

Na Eletrosul, que atua em Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, há cerca de 1,5 mil funcionários. Em todo o País, o setor elétrico emprega cerca de 15 mil pessoas.

Caso a empresa não melhore a proposta salarial, a greve se estenderá para 48 horas na semana que vem, dias 25 e 26. Os funcionários também não descartam greve por tempo indeterminado a partir do dia 11 de julho. A última grande greve da categoria, segundo Silva, foi em 1996 e durou 48 dias.