A transformação da Eletrobrás na “Petrobras do setor elétrico”, como é o plano do governo, vai levar à internacionalização da empresa no continente americano, especialmente na Argentina, na Colômbia, nos Estados Unidos e no Peru. De acordo com o plano estratégico da estatal, que será divulgado este mês, com a apresentação da nova marca da companhia, a atuação internacional será prioritariamente em geração hidráulica e transmissão de energia.

“Vamos estudar principalmente a compra de ativos, mas podemos entrar também em novos projetos”, afirmou ontem o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz. Atualmente, 34% do capital total da estatal estão em mãos de acionistas privados, sendo em torno de 20% desse total de estrangeiros. De acordo com cálculos da estatal, desde que o grupo lançou títulos na Bolsa de Nova York (American Depositary Receipts, ou ADRs, na sigla em inglês), em outubro de 2008, houve valorização de 25% nos papéis.

A Eletrobrás – que reúne 16 estatais – planeja constituir subsidiárias também fora do País. A escolha dos locais vai depender da aquisição de novos ativos, com ou sem parcerias internacionais. No Peru, por exemplo, está em estudo a construção de cinco hidrelétricas, com capacidade de 7 mil megawatts. “Quase compramos uma empresa no Peru, mas não deu certo porque a legislação de lá não permitia”, diz Muniz.

No esforço para dar uma nova imagem ao grupo, foi encomendada à consultoria Ana Couto Branding Design uma marca nova para o grupo, que será apresentada no próximo dia 22. A logomarca, que custou R$ 1 milhão, segundo revelou Muniz, será unificada para todas as subsidiárias, que perderão suas marcas originais e terão seus nomes encimados pelo da Eletrobrás. “Na Petrobras não é assim? Tudo a mesma cara? É isso que estamos fazendo”, diz o presidente da holding.

Concluído o plano estratégico, que tem como meta transformar a Eletrobrás no “maior sistema empresarial global de energia limpa, com rentabilidade comparável à das melhores empresas do setor elétrico”, a estatal inicia o plano de investimentos, que será apresentado no fim de junho. Muniz não adianta valores. Mas assegura que será bem mais robusto que o estabelecido para o período 2009-2012, com investimentos previstos de R$ 30 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.