Rio e São Paulo ( AG) – Os eletrodomésticos já acumulam aumento de 7,51% de janeiro a setembro deste ano, acima dos 5,48% da inflação pelo IPCA apurada pelo IBGE no período. Ainda assim, os produtos devem registrar mais reajustes porque as indústrias de televisores, aparelhos de som, geladeiras e máquinas de lavar vêm apresentando novas tabelas com altas de 3% a 6% para os varejistas, que fecham as últimas encomendas para o Natal. No caso dos fabricantes de bicicletas, a elevação chega a 10%, índice enfrentado por um varejista sem estoques.

No setor de eletroportáteis, a variação é entre 6% e 8%. A preocupação dos varejistas do Rio se concentra na alta dos produtos de verão ? ventiladores, circuladores e ar-condicionado ? o que deverá frustrar a previsão de crescimento de 20% a 30% nas vendas até fevereiro. Isso poderia compensar o fraco movimento no verão ameno de 2003. Na expectativa de vender mais, uma rede acertou todo o estoque com antecedência, mas agora o fabricante está tentado renegociar as tabelas com a empresa.

As pesquisas do IBGE relacionam 12 artigos do grupo eletrodomésticos com altas acima da variação de 5,48% até setembro. O chuveiro elétrico liderou a lista, subindo 20,4%, seguido da máquina de secar roupa, com elevação de 13,2%. O item condicionador de ar teve aumento pequeno no ano (0,97%), mas em setembro o preço do produto já apresentou uma boa recuperação: ficou 1,05% mais caro, três vezes acima da inflação de 0,33% no mês.

O ventilador, que acumulou alta de 3,3% nos primeiros nove meses, encareceu 0,63% no mês. E as indústrias estão otimistas com o movimento no verão. A Spirit espera vender 50% a mais neste Natal sobre o de 2003. O número de peças deverá chegar a 75 mil entre novembro e dezembro, 30% do movimento no ano. O preço do produto teve um ajuste de 5%, índice, segundo a empresa, bem abaixo do aplicado em outras marcas de ventiladores de teto: 25%, em média.

Há pouco mais de um mês, o presidente da Associação Brasileira de Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab, tinha previsto reajustes entre 7% e 11%, principalmente nas linhas de Tvs e som. Como justificativas, citou a defasagem da indústria, a pressão de custos de insumos, como aço, plástico e vidros, além das mudanças nas regras do PIS e da Cofins, que oneraram o setor.