O Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que a demanda doméstica na economia brasileira está robusta. Segundo a ata de sua última reunião, divulgada hoje pelo Banco Central (BC), essa robustez deve-se, em grande parte, ao crescimento da renda e à expansão do crédito no País.

Além disso, o BC avalia que os efeitos do aumento de gastos e do crédito, no passado recente, ainda têm reflexo na economia brasileira. “Em que pese iniciativas recentes apontarem contenção das despesas do setor público, impulsos fiscais e creditícios foram aplicados na economia nos últimos trimestres, e ainda deverão contribuir para a expansão da atividade e, consequentemente, para que o nível de ociosidade dos fatores se mantenha em patamares baixos”, diz o documento.

O BC afirma ainda que, como contraponto a esse impacto dos gastos e do crédito, houve uma reversão das iniciativas tomadas durante a crise financeira de 2008/2009, tal como a adoção de medidas macroprudenciais, além das ações convencionais de política monetária implementadas neste ano, como alta da Selic (a taxa básica de juros da economia). “Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito fiscal e parafiscal são parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas”, diz o BC, na ata.

Superávits primários

O Copom destaca a necessidade de concretização das metas de superávit primário das contas públicas para a queda da inflação. “O Copom reafirma que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais”, afirma. O superávit primário representa a economia para pagamento dos juros da dívida pública.

O documento diz ainda que a geração de superávits primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB).

“A propósito, cabe enfatizar que, desde o início deste ano, importantes decisões foram tomadas e executadas, e reforçam a visão de que está em curso um processo de consolidação fiscal”, diz a ata.

O Copom destaca ainda que o cenário central contempla moderação na expansão no mercado de crédito. Para esse cenário, segundo o comitê, têm contribuído as ações macroprudenciais e convencionais de política monetária recentemente adotadas.

Inflação

A projeção de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2011 no cenário de referência traçado pelo BC recuou, mas ainda se encontra acima do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). É o que informa a ata da última reunião do Copom. Para 2012, a projeção ficou estável no cenário de referência – portanto, permaneceu acima do valor central da meta.

O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$ 1,60 e da Selic (a taxa básica de juros da economia) em 12,00% ao ano em todo o horizonte relevante. No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo BC com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2011 também recuou, mas se encontra acima do valor central da meta para a inflação.

Para 2012, a projeção se manteve estável no cenário de mercado e também ficou acima do valor central da meta. Em um cenário alternativo, a projeção de inflação para 2011 se encontra acima da meta e em torno desse valor para 2012. O cenário alternativo leva em conta a manutenção da taxa de câmbio, no horizonte relevante, em patamares semelhantes aos observados no passado recente e também a trajetória de juros.