Parlamentares e produtores
de leite buscam soluções.

A crise da Parmalat e quais as suas conseqüências para o Paraná foram discutidas ontem em uma audiência pública na Assembléia Legislativa, em Curitiba, com as presenças do relator da comissão especial da Câmara Federal sobre o assunto, deputado federal Miguel Couto Assis, e representantes do governo estadual e dos produtores de leite. A intenção do encontro foi achar soluções para o setor, a fim de evitar prejuízos principalmente para os pequenos produtores, que ainda não receberam pelo leite fornecido nos meses de dezembro de 2003 e janeiro deste ano. Estima-se que dois mil produtores estão nessa situação em todo o Estado.

De acordo com o presidente da comissão de leite da Federação de Agricultura do Paraná (Faep), Ronei Volpi, o preço do leite já caiu 20% devido à crise na Parmalat. Os produtores estão trabalhando no vermelho. Essa deficiência pode causar uma escassez do produto daqui a quatro meses, no inverno, quando há aumento do consumo de leite. “Em comparação ao número total de produtores (50 mil), são poucos aqueles que ainda não receberam. O prejuízo ainda não é muito no Paraná, mas há uma temeridade futura quanto à situação dos produtores paranaenses”, afirma Volpi.

Ele apresentou duas propostas emergenciais. A primeira se refere à não paralisação das atividades, por meio de ações na Justiça. Nesse caso, os produtores continuariam fornecendo o leite para a empresa. “Isso também garantiria os empregos na própria Parmalat”, acredita. A outra sugestão é o governo federal aplicar um preço mínimo para o leite, o que também asseguraria renda aos produtores em situações de crise. Além disso, Volpi pede créditos rurais com juros baixos e uma lei antitruste, contra o abuso das grandes redes de supermercados, que abaixam o preço do produto. “Eles matam o fornecedor com isso”, revela Volpi.

Para ele, a solução para a Parmalat estaria na desapropriação das ações da empresa, juntamente com intervenção federal. O representante da Faep acredita que as ações possam ser repassadas à Batávia (empresa controlada pela Parmalat no Paraná). Isso diminuiria o impacto da parada na produção de leite.

De acordo com o deputado federal Cézar Silvestre, integrante da comissão especial na Câmara Federal, as ações para resolver o problema serão propostas em duas semanas, no máximo. “Neste momento a intervenção federal está descartada, mas ela poderá ser utilizada no futuro”, explica. Também está cogitada a desapropriação das ações da Parmalat, que poderiam ser repassadas a cooperativas de produtores em todo o Brasil, organizadas em uma única instituição. As audiências públicas estão sendo realizadas em todo o País e vão até o próximo dia seis.

Sem receber

O produtor Alvanir Boff, de Francisco Beltrão, fornece mais de dois mil litros de leite somente para a Parmalat desde 1997. Ele não recebeu o dinheiro em dezembro, o que gerou uma dívida de R$ 986,00. Em janeiro, Boff também não viu a cor do dinheiro. “Os produtores que estão nessa situação são aqueles que recebem diretamente pelo Banco do Brasil, com CPF”, explica. Ele acredita que a empresa tem dívidas com quase 100 produtores da região de Francisco Beltrão.