Rede Flatel em autofalência.

A rede de supermercados Flatel, instalada em Curitiba desde 1993, apresentou no último dia 5 pedido de autofalência na Vara da Fazenda Pública, na capital. Com 114 funcionários e três filiais – nos bairros Pilarzinho, Vila Hauer e Centro -, além da matriz na Avenida Anita Garibaldi, no Ahú -, a rede alega dificuldades financeiras para honrar tributos e pagamentos a fornecedores. A rede acumula dívida de R$ 2,465 milhões.

Na tarde de ontem, o juiz Luiz Osório Panza, da 2.ª Vara da Fazenda Pública, afirmou que deve acatar o pedido de autofalência com continuidade de exercício. Isso significa que a rede permanecerá com as portas abertas, atendendo normalmente ao público. Apenas a administração, que até então estava sob o comando dos sócios Flávio Oscar Câmara e Telma Câmara, proprietários e fundadores da rede, passará para a mãos de um síndico que será nomeado pelo juiz. O síndico poderá ser tanto um dos credores quanto uma terceira pessoa com idoneidade.

O juiz Luiz Osório Panza explicou que acatou o pedido de manter as portas dos estabelecimentos abertas por entender que se trata de uma questão social. “É muita traumático fechar o supermercado de imediato e demitir os funcionários”, explicou. Segundo ele, caberá ao síndico avaliar se a rede terá condições de abater a dívida ou não, enquanto estiver aberta. “Isso vai depender do estoque do supermercado, de quanto comercializa, custos”, comentou.

Segundo o juiz, a rede não pediu concordata – dilação de prazo para pagar as dívidas -antes de optar pela autofalência. “Nem teria como. Para pedir concordata, o ativo (bens e produtos em estoque) tem que ser muito maior do que o passivo (as dívidas). No caso do Flatel, o ativo alegado é de R$ 2,7 milhões, muito próximo da dívida de R$ 2,4 milhões”, apontou. Os principais credores da rede são a firma individual Airton José Roncato (dívida de R$ 250 mil), Banco Mercantil de São Paulo (R$ 233 mil) e a empresa Friar, distribuidora de alimentos (R$ 128 mil).