Economistas ouvidos pelo Wall Street Journal esperam que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) aumente as taxas de juros três vezes este ano, mas não chegaram a um consenso sobre quando esses aumentos virão.

Aproximadamente 33% dos economistas disseram que o Fed voltará a aumentar as taxas em março; 48% afirmaram que o BC americano esperará a reunião de junho. Dirigentes do Fed sinalizaram, em dezembro, três aumentos das taxas de juros de 0,25 ponto porcentual em 2017.

A divisão entre os economistas entrevistados reflete diferenças de opinião sobre o curso da economia dos EUA neste ano e o efeito dos possíveis investimentos que o governo Trump venha a fazer.

Vários dos que preveem um aumento em março projetavam contínuas melhoras no mercado de trabalho, alta da inflação e uma taxa saudável de crescimento econômico. “O Fed terá outra oportunidade para elevar os juros em março, tendo em vista o crescimento do PIB e os ganhos contínuos nos mercados de ações”, disse Rajeev Dhawan, economista da Georgia State University.

Já os que acreditam que aconteça um aumento somente em junho optaram pelo ceticismo em relação a um cenário completamente positivo da economia americana. “O crescimento e a inflação nos EUA não serão fortes o suficiente para forçar um aperto monetário mais rápido pelo Fed”, disse Scott Anderson, economista-chefe do Bank of the West.

Vários também citaram a incerteza em torno das políticas econômicas do governo Trump como um fator que seria ponderado pelo BC americano. “O Fed irá agir com cautela e vai querer esperar por um panorama fiscal mais claro”, afirmou Gregory Daco, diretor de macroeconomia dos EUA na Oxford Economics.

Os desacordos dos economistas refletem o debate que está ocorrendo no próprio Fed. Após a reunião do BC dos EUA em dezembro, a presidente do Fed, Janet Yellen, disse a repórteres que alguns dirigentes mudaram suas perspectivas econômicas após a eleição de Trump. “Alguns dos dirigentes, mas não todos, incorporaram alguma suposição de uma mudança na política fiscal em suas projeções”, disse Yellen.

As projeções econômicas divulgadas após a reunião sugeriram que os dirigentes do Fed anteciparam a elevação das taxas de juros para três vezes ao longo de 2017, e acima dos dois aumentos projetados em setembro.

O presidente da unidade de Richmond do Fed, Jeffrey Lacker, disse que o BC americano “pode precisar aumentar mais rapidamente os juros do que os mercados parecem esperar, dependendo da evolução do ano”. Do lado oposto, está Dennis Lockhart, presidente do Fed de Atlanta, que afirmou, no início deste mês, que ainda acredita que o mais apropriado são dois aumentos nos juros este ano.

A pesquisa do Wall Street Journal foi feita com 67 economistas, mas nem todos responderam a todas as perguntas. Fonte: Dow Jones Newswires.