Os comerciantes que forem renovar os estoques de embalagens plásticas, a partir de hoje, serão surpreendidos com o repasse de preço havido na matéria-prima, as resinas termoplásticas. Por isso, as indústrias de transformação terão que reajustar suas tabelas em até 20%. E a onda de aumento não vai parar por aí. A previsão é de mais alta até dezembro.

Este ano, os produtos já subiram 20%. O presidente do Sindicato das Indústrias de Materiais Plásticos no Estado do Paraná (Simpep), Dirceu Galléas, garante que as indústrias não têm mais como absorver os aumentos das matérias-primas (todas derivadas do petróleo). Por isso, são obrigadas a repassar para o seus clientes , sob pena de terem de parar suas máquinas, perdendo o reaquecimento do mercado.

O dirigente sindical explica que os preços do nafta -produto derivado do petróleo – e de outros insumos básicos para a fabricação das resinas termoplásticas têm cotação em dólar e variam de acordo com a demanda do mercado internacional. Este ano, a procura está maior do que a oferta, em função do aquecimento das economias chinesa e norte-americana. Além disso, as cotações do petróleo estão em alta por causa das incertezas de fornecimento pelos países do Oriente Médio.

De janeiro até agosto, os preços das resinas termoplásticas e de outras matérias-primas para a indústria de embalagens já subiram 45%. Segundo Dirceu Galléas, as indústrias paranaenses absorveram 25% desses reajustes, mas agora não conseguem mais contabilizar essas altas repassadas pelos fornecedores, as centrais petroquímicas. Daí o lançamento de novas tabelas de preços para o varejo e para o mercado em geral a partir desta semana.

Controle

No Brasil, existem apenas nove empresas petroquímicas responsáveis pelo abastecimento do mercado interno e por exportações de nafta e de outros insumos básicos para a fabricação das resinas termoplásticas. Com isso, eles não têm dificuldades em repassar seus aumentos para as 8.000 indústrias de transformação, das quais mais de 400 paranaenses.

Para conter essa onda de aumentos, a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais Plásticos (Abiplast) está fazendo gestões no Ministério de Minas e Energia. Os dirigentes da entidade querem que o governo federal adote medidas idênticas as que são usadas para os cálculos do custo da gasolina, fixando preços de contratos de longo prazo, e não apenas de mercado spot para a formação da tabela do nafta petroquímico.

Assim, livraria o mercado brasileiro desses choques freqüentes de aumentos de preço. A indústria de transformação programa sua produção em cima dos pedidos que tem em carteira e fechados com base nos preços da matéria-prima da época, sofrendo abalos constantes em suas finanças, uma vez que as petroquímicas trabalham com o preço do dia e reajustam sem qualquer aviso. Não dá mais para as indústrias paranaenses alcarem com esses descompassos, alerta Galléas.

O pólo industrial de embalagens e produtos plásticos no Paraná ganhou força nos últimos dez anos. As mais de 400 indústrias estão espalhadas por Curitiba, Região Metropolitana, Cascavel, Pato Branco e Norte do Estado. Elas são responsáveis pela geração de 15 mil empregos diretos. Fabricam 25 mil toneladas de produtos por mês, desde sacolas personalizadas, filmes técnicos, peças para automóveis, utilidades domésticas, agribusiness, até plástico utilizados na construção civil.

Os produtos são distribuídos Brasil afora, graças ao bom conceito de qualidade que as empresas paranaense disfrutam. Agora, algumas indústrias estão partindo também para o mercado internacional. Paraná responde por cerca de 9% da produção nacional de embalagens e artefatos de plásticos. E tem plenas condições para crescer mais, desde que sejam corrigidas essas dirtorções, conclui o presidente Dirceu Galléas.