Brasília

– O ministro da Previdência Social, Ricardo Berzoini, afirmou ontem que o governo se mantém irredutível e não aceita ceder na taxação dos inativos ou em qualquer outro item da proposta da reforma previdenciária. Dirigentes petistas têm admitido reservadamente que o governo pode aumentar o limite de isenção para a contribuição dos inativos, fixado na proposta em R$ 1.058, buscando formas de compensar a perda de arrecadação, principalmente dos governos estaduais. Berzoini negou essa possibilidade.

– Não há nenhum fundamento, qualquer movimentação nesse sentido. Entendemos que a reforma da Previdência, conforme foi remetida ao Congresso Nacional, tem toda uma coerência, uma lógica. Vamos trabalhar para que a proposta seja aprovada da maneira que foi enviada – afirmou Berzoini, frisando, no entanto, que reconhece a legitimidade dos parlamentares para mudar a proposta.

Em palestra para empresários, na Associação Comercial do Rio de Janeiro, Berzoini disse que o projeto de reforma apresentado pelo governo Lula não representa contradição com o que foi defendido na campanha eleitoral, como acusam petistas rebeldes.

– Na campanha apresentamos um programa que fez um diagnóstico da Previdência Social muito parecido com o que temos agora. Portanto, o que houve, se houve, foi o aprofundamento do diagnóstico e a busca de composição com 27 governadores – afirmou.

Arsenal contra rebeldes

Brasília (AE)

– A direção do PT prepara um arsenal contra a senadora Heloísa Helena (PT-AL) e os deputados Luciana Genro (PT-RS) e João Batista de Araújo (PT-PA), o Babá, alvos de um processo na Comissão de Ética do partido. A operação inclui tropa-de-choque para acusar os rebeldes na comissão e um dossiê com todas as “ofensas” feitas pelos três a integrantes do governo.

Os líderes petistas no Congresso receberam ontem pedido da Comissão de Ética: terão de enviar todos os discursos feitos pelos três rebeldes nas tribunas da Câmara e do Senado. A idéia é usar o material junto com entrevistas dadas pelos parlamentares a jornais e tevês, que continuam sendo acumuladas pela comissão. Ainda ontem, o comando petista selecionou algumas testemunhas de acusação que poderão ser ouvidas no processo contra os rebeldes. Estão na lista os deputados Paulo Bernardo (PT-PR) e Paulo Rocha (PT-PA), o líder petista no Senado, Tião Viana (AC), a senadora Ideli Salvati (PT-SC), o presidente do PT alagoano, deputado estadual Paulo dos Santos, o “Paulão”, e o suplente de deputado pelo partido Joaquim Brito (AL).

Barulho

A tropa-de-choque petista estará no domingo em São Paulo, na primeira audiência da Comissão de Ética após a abertura do processo que poderá acabar com a expulsão dos três parlamentares. Na ocasião, os rebeldes também levarão as testemunhas de defesa, entre elas, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), o sociólogo Emir Sader e o advogado Dalmo Dallari.

Heloísa, Luciana e Babá prometem fazer barulho na comissão para evitar a expulsão. Barulho até mesmo que é ouvido fora do País. Em visita ao Brasil, a vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Kruger, demonstrou preocupação com a resistência da “base governista” em relação às reformas.

Sindicatos atacam parentes

Brasília

– Representantes de entidades dos servidores anunciaram ontem, durante debate organizado pelo vice-presidente do Senado, Paulo Paim (PT-RS), que farão pressão direta sobre os parlamentares para impedir que a reforma da Previdência seja aprovada como propôs o governo. Tentarão cooptar até mesmo mães e avós de parlamentares para o movimento contra dispositivos da proposta, como a taxação dos funcionários públicos aposentados.

“Nos estados, faremos trabalho de formiga, conversando com deputados, com suas mães e seus avós”, disse o vice-presidente do Movimento Nacional dos Servidores Aposentados e Pensionistas, Edson Guilherme Haubert, adepto da tese de que os parentes mais próximos dos políticos vão convencê-los a votar pela derrubada dos pontos polêmicos.

No encontro, que reuniu associações da Frente Parlamentar e de Entidades Civis e Militares em Defesa da Previdência Social Pública, Haubert disse que o grupo de radicais do PT contrários à reforma é um forte aliado. Sem citar nomes, defendeu os rebeldes petistas, liderados pela senadora Heloísa Helena (PT-AL) e pelos deputados João Batista de Araújo (PT-PA), o Babá, e Luciana Gen-ro (PT-RS). “Os radicais do PT estão apenas defendendo o que o partido sempre defendeu”, declarou Haubert.

Constrangimento

Representante da Confederação dos Trabalhadores da Iniciativa Privada, José Carlos Schut defendeu uma ação mais ousada para constranger deputados e senadores favoráveis à reforma: espalhar nos estados cartazes com as fotos dos congressistas que apóiam as mudanças nas regras da Previdência. Segundo ele, essa sempre foi a tática dos políticos do PT no movimento de oposição às propostas no Congresso de FHC.

Militares rejeitam limite

Brasília – O ministro da Defesa, José Viegas, reuniu-se ontem com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Luiz Carlos Greenhalgh (PT-SP), para reivindicar a retirada, da reforma da Previdência, de um dispositivo que dá margem, segundo os militares, para que o teto de aposentadorias da categoria fique limitado a R$ 2.400,00. Os militares querem que o relator da reforma da Previdência, Maurício Rands (PT-PE), faça uma emenda supressiva, retirando da proposta qualquer possibilidade de a categoria vir a ter o teto de aposentadoria igual ao da iniciativa privada.

“Todas as reivindicações setoriais serão examinadas no meu relatório, que apresentarei amanhã. Emitir opinião sobre esse assunto é precipitado”, argumentou Rands, que não quis sequer dizer se os militares têm ou não razão no pleito. A regulamentação das aposentadorias dos militares será feita por lei ordinária e o governo havia prometido que a categoria não seria atingida pela reforma.