Uma paralisação de 48 horas foi a resposta dos funcionários da Bosch às 826 demissões ocorridas na empresa, há duas semanas. A decisão ocorreu ontem, no início da manhã.

Os cerca de 3 mil empregados, que estavam sob licença remunerada e deveriam retornar ontem, pararam imediatamente. Ainda ontem, a Volvo iniciou negociações com trabalhadores, para tentar suspender temporariamente cerca de 300 contratos de trabalho e adequar sua produção à demanda atual.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Sérgio Butka, em um ano e quatro meses a Bosch efetuou aproximadamente 1,7 mil desligamentos de funcionários. “E há boatos de que haveria mais 250 a 300 demissões por vir, na área administrativa”, afirmou, ontem, em entrevista coletiva.

O dirigente sindical afirma que a categoria continua confiando em uma solução para o impasse, seja no Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR) ou no Ministério Público do Trabalho (MPT), órgãos onde o SMC ingressou com processos. Hoje, haverá uma nova audiência no TRT-PR. Amanhã, será a vez da segunda audiência no MPT.

A solução que o sindicato prefere, conforme o presidente da entidade, envolve a readmissão dos trabalhadores demitidos este mês e a suspensão temporária dos contratos de trabalho dos empregados, o chamado lay-off.

Sobre a redução de salários e jornada de trabalho alternativa que a Bosch diz ter proposto anteriormente, Butka esclareceu que não foi aceita pelo SMC, já que a empresa não a atrelou à garantia de manutenção dos empregos.

Sobre a paralisação iniciada ontem, a Bosch informou, através de sua assessoria de imprensa, que “adotou os procedimentos legais que garantem o acesso dos colaboradores que desejarem retornar ao trabalho”, e que está avaliando as próximas ações.

Volvo

Na mesma avenida da Cidade Industrial de Curitiba, a cerca de 10 quilômetros de distância da unidade da Bosch, outra multinacional instalada na capital também negocia com os trabalhadores para tentar contornar a crise econômica mundial.

Ontem, a direção da Volvo se reuniu com representantes dos trabalhadores e o SMC para discutir a suspensão temporária dos contratos de trabalho de cerca de 300 funcionários.

De acordo com o presidente do SMC, a proposta da empresa é de que a suspensão dure até três meses. Durante este período, os trabalhadores receberiam bolsa-qualificação profissional.

Contatada, a Volvo admitiu a negociação. A empresa, segundo sua assessoria de imprensa, precisa ajustar a produção à demanda atual por caminhões, que não se recuperou nos mercados interno e externo, em relação ao ano passado.