Foto: João de Noronha – Arquivo
Comércio contratou mais, esperando o Natal.

As contratações feitas pelo comércio varejista puxaram o saldo de empregos no Paraná em outubro. O resultado foi crescimento de 0,60% no mercado formal, com o saldo (admissões menos demissões) de 11.173 empregos – o melhor desempenho no mês desde 92, início da série histórica. Até então, o melhor resultado havia sido outubro de 2004, com 10.181 postos de trabalho. Em igual mês do ano passado, o saldo foi negativo em 973 vagas. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR).  

?A aceleração na geração de emprego está ligada principalmente ao comércio varejista?, apontou o economista Sandro Silva, do Dieese-PR, referindo-se ao setor responsável pela geração de 3.460 vagas – quase um terço do volume total. ?Estamos em um processo de aceleração da economia, com a taxa de juros caindo, inflação baixa, elevação do poder aquisitivo da população com o aumento salarial real e o volume de crédito em ascensão?, explicou.

As contratações pelo comércio varejista estão ligadas às vendas de final de ano, mas também mostram a superação da crise da agricultura, principalmente no interior. ?No segundo semestre do ano passado e no primeiro desse, o comércio varejista não vinha bem no interior, principalmente em função da agricultura?, apontou Silva.

Além disso, setores que haviam pressionado para baixo o nível de emprego em outubro do ano passado exerceram menor pressão este ano – caso da agricultura, que registrou saldo de -1.445 empregos no ano passado e este ano ficou em -195. Na indústria de alimentos e bebidas, houve o mesmo movimento: o saldo negativo de 5.926 empregos em outubro do ano passado caiu para -430 este ano.

Depois do comércio, outros setores que mais contrataram em outubro foram a indústria têxtil e vestuário (saldo de 1.138 empregos), hotéis e restaurantes (1.058), outros serviços (1.029) e transportes e comunicação (864).

Com a variação de 0,60% no nível de emprego, o Paraná ficou na 14.ª posição entre os 27 estados, pouco acima da média nacional, que foi de 0,47%. O número estimado de trabalhadores com carteira assinada no Paraná é de aproximadamente 1,876 milhão.

No ano

Com o resultado de outubro, a expectativa é que o Paraná encerre o ano com saldo de empregos superior ao de 2005, quando foram criados 72.374 postos de trabalho com carteira assinada. ?Ainda temos que esperar os números de novembro, mas acredito que o saldo este ano deva ficar acima de 80 mil?, prevê o economista.

De janeiro a outubro, o saldo acumulado de empregos no Paraná é de 105.251. A questão é que, historicamente, em novembro o número de empregos gerados representa apenas 60% do total de outubro e, em dezembro, o saldo é negativo. No ano passado, porém, novembro e dezembro registraram saldos negativos.

Entre os setores que mais contrataram este ano, destaque para a indústria de alimentos e bebidas (19.195 vagas), comércio varejista (13.886), hotéis e restaurantes (10.966), outros serviços (10.252) e agricultura e silvicultura (9.080). O único setor que acumula queda no saldo de empregos no ano é madeira e mobiliário (-1.260).

Grande Curitiba

O saldo de empregos registrou este ano o melhor outubro desde 92 também na Grande Curitiba, com 6.207 postos de trabalho. No acumulado do ano (janeiro a outubro), o saldo acumulado é de 39.453, com destaque para o setor de serviços, que responde por quase 51% do total de contratações no mercado formal.

Desemprego continua em alta

Apesar do aumento no saldo de empregos formais, continua elevada a taxa de desemprego em Curitiba e Região Metropolitana. Conforme estimativa do Dieese, a taxa de desemprego é de 13,7%, o que corresponderia a aproximadamente 201 mil desempregados.

No Paraná, segundo o economista Sandro Silva, do Dieese-PR, a expectativa é que finalmente haja uma reversão de tendência. Segundo dados divulgados ontem, entre julho de 2005 e setembro desse ano, o número de empregos acumulados nos últimos 12 meses, na comparação com os 12 meses anteriores, era sempre menor. Dessa forma, em julho de 2005, o número de empregos acumulados era 95.546, quase 10% a menos dos que os 105.162 acumulados em julho de 2004. Já em outubro último, o acumulado nos 12 meses era 82.895 empregos, ou seja, 20% mais do que os 68.988 registrados em outubro de 2005.

?Em outubro último, houve uma reversão de tendência, o que pode estar indicando uma reaceleração na geração de emprego?, comentou o economista Sandro Silva. Entre os setores que contribuíram para a geração de empregos nos últimos 12 meses estão o comércio varejista (com 17.875 empregos), seguido pela indústria de alimentos e bebidas (15.291), outros serviços (10.351) e hotéis e restaurantes (9.149). Já os setores que acumulam queda são agricultura e silvicultura (-502) e madeira e mobiliário (-3.336).