O emprego na indústria de transformação paranaense cresceu 10,11% de janeiro a julho, com o saldo de 43.515 entre os admitidos e os desligados. Já o crescimento em julho em relação a junho foi de 0,87%, com a geração de 4.108 novos postos de trabalho. Os números foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e Federação dos Trabalhadores na Indústria do Paraná (Fetiep).

No acumulado do ano, os setores que puxaram a geração de empregos foram indústria de alimentos e bebidas (crescimento de 16,31%, com 18.787 empregos), madeira e mobiliário (5.930), têxtil (4.959), material de transporte (3.595), indústria química (2.578) e metalúrgica (2.521). Segundo Sandro Silva, economista do Dieese-PR, os dois primeiros setores (alimentos e madeira) estão relacionados à exportação de produtos. “A indústria têxtil também exporta, mas pouco. A alta se deve mesmo à desvalorização da moeda, que inibiu as importações”, explicou. Segundo ele, o bom desempenho do setor têxtil revela ainda a recuperação da economia no mercado interno. No acumulado do ano, o interior respondeu por 79% dos empregos criados.

No mês, os setores que mais geraram empregos foram indústria de alimentos e bebidas (1.233 postos de trabalho), têxtil (866), química (413) e metalúrgica (326). Os quatro juntos representaram quase 70% das vagas criadas. Em julho, quase 57% dos empregos ficaram concentrados no interior do Estado.

Em comparação com outros estados, o Paraná apresentou de janeiro a julho a sexta melhor colocação em termos de índice (10,11%), acima da média nacional, que foi de 7,09%. No saldo de empregos, o Paraná ficou na quarta colocação, atrás de São Paulo (157.332 postos de trabalho), Rio Grande do Sul (47.964) e Minas Gerais (45.083).

Performance da RMC

Na comparação de janeiro a julho de 2004 com o mesmo período do ano anterior, a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) apresentou desempenho melhor do que o interior e o Estado num todo. Enquanto no interior o número de empregos gerados passou de 19.234 para 34.352 (aumento de 78,60%), na RMC saltou de 1.479 para 9.163, ou seja, crescimento de 519,54%. Para o supervisor técnico do Dieese-PR, Cid Cordeiro, os números revelam que o mercado interno vem de fato retomando o crescimento. “No interior, os produtos são mais voltados para a exportação, e na região metropolitana para o mercado interno”, afirmou.

Apesar do bom desempenho da RMC, a agroindústria ainda responde por parte significativa dos empregos gerados no Estado. Dos 43.515 novos postos de trabalho, 24.152 (ou 55,5% do montante) estão ligados à agroindústria, com destaque para a produção de álcool (6.568), fabricação e refino de açúcar (5.367) e fabricação de produtos de madeira (3.446).

Quanto à folha de pagamento, houve aumento real de 6,26% no acumulado de janeiro a julho em comparação ao mesmo período do ano passado. “É um sinal positivo, que mostra que o ritmo da recuperação da renda está bem acentuado”, comentou Cid Cordeiro.

Produção industrial

De janeiro a julho, a produção industrial cresceu 4,68%, com destaque para a produção de veículos automotores (crescimento de 39%), madeira (22,82%), produtos de metal (9,92%) e máquinas e equipamentos (7,59%). Na outra ponta, apresentaram queda o refino de petróleo e álcool (-25,20%), outros produtos químicos (-13,14%) e minerais não metálicos (-8,15%). Segundo Cid Cordeiro, a produção industrial paranaense foi afetada pela parada técnica na Refinaria Getúlio Vargas (Repar). No mesmo período, a produção industrial do País ficou em 8,24% – quase o dobro da paranaense. (Lyrian Saiki)

Paraná dobrou oportunidades formais

O Paraná fechou os primeiros meses do ano com o dobro de números de empregos formais registrados em todo ano passado. Conforme detalhamento divulgado nesta quarta-feira (22) pelo Ministério do Trabalho, o Estado criou nos primeiros oito meses do ano 125 mil novos empregos com carteira assinada. Em todo ano de 2003, foram 62 mil. Os números de 2004 continuam assinando um recorde histórico.

O resultado de agosto (18.952) foi o segundo melhor do País. No acumulado do ano, o Paraná figura em terceiro lugar, posição também considerada positiva já que o Estado é o sexto em população do País. Entre os estados do Sul, o Paraná mantém uma liderança há vários meses. Com os números, o Paraná já é responsável neste ano por 525 mil empregos formais e informais.

Incremento

A somatória dos empregos surgidos no Estado de janeiro a agosto representa um incremento de 7,91% sobre o número total de trabalhadores paranaenses com registro em carteira, calculado em cerca de 1,5 milhão. Do total de postos de trabalho surgidos neste ano em todo Paraná, 74,6% foram empregos criados no interior do Estado.

Os dados, baseados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), revelam que o Estado está gerando uma média de 783 empregos formais ao dia, considerando-se os 20 dias úteis do mês. Refletem ainda o que aponta a pesquisa sobre desemprego do Ipardes-IBGE. Segundo a pesquisa, a Região Metropolitana de Curitiba está com uma taxa de desemprego de 8,9%. A média nacional é calculada em 11,2%.

Segmentos

Entre os setores que mais estão gerando empregos neste ano no Paraná, o destaque fica com a indústria, responsável por 49.967 postos de trabalho de janeiro a agosto. Desse total, 20.527 ficaram com a indústria de alimentos e bebidas, 6.806 com o segmento de madeira e mobiliário, 6.386 com a indústria têxtil e de vestuário e 3.929 com a de material de transporte.

Em seguida, aparece o setor de serviços, com 30.472 novos empregos formais. Nesse setor, os melhores resultados ficaram com os segmentos de administração de imóveis (10.019), alimentos e manutenção (8.740), transporte e comunicação (5.848) e ensino (3.734).

O comércio surge em terceiro lugar com 24.130 novos empregos com carteira assinada, entre eles 19.228 no segmento varejista. Já a agricultura gerou 15.888 postos de trabalho. A indústria da construção civil, um dos melhores indicativos para a medição do crescimento da economia, apontou a geração de 3.075 empregos, dos quais 1.438 só em agosto.