Arquivo / O Estado
Arquivo / O Estado

No acumulado do ano (janeiro a
julho), a indústria de transformação
no Paraná cresceu 5,20%.

O emprego na indústria do Paraná registrou em julho o pior desempenho no mês desde 2001. Com crescimento quase nulo (0,04%), o emprego teve saldo de apenas 195 vagas na comparação com junho – muito aquém dos 4.108 postos de trabalho criados em julho do ano passado e abaixo ainda de igual mês de 2003, quando o saldo foi de 616 vagas. O interior do Estado foi quem puxou a queda no nível de emprego, por conta do período de entressafra, com 694 vagas a menos. Já na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), houve saldo positivo de 889 empregos. Os dados fazem parte da pesquisa Indicadores da Indústria Paranaense, divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR).

Entre os setores que mais empregaram em julho, destaque para a indústria de alimentos, bebidas e álcool etílico (514 vagas), indústria química (274) e indústria do papel, papelão, editora e gráfica (115). Já entre os que mais demitiram estão a indústria de madeira e mobiliário (-545) – por conta da queda nas exportações, devido à desvalorização do dólar -, indústria de borracha, fumo, couros, peles e similares (-113) e indústria têxtil (-108).

No acumulado do ano (janeiro a julho), a indústria de transformação no Paraná cresceu 5,20% e gerou 24.801 empregos; o interior participou com quase 78%, enquanto a RMC, com 22%. A indústria de alimentos, bebidas e álcool etílico foi a que teve a maior participação na geração de empregos (16.794 vagas, ou seja 67,7% do total de empregos criados), seguida pela indústria têxtil (2.617), indústria do material de transporte / montadoras (1.634), indústria de material elétrico e de comunicações (1.574). O único setor com saldo negativo foi o de madeira e mobiliário, com queda de 1.797 empregos no ano.

Na comparação com outros estados, o crescimento do emprego industrial no Paraná no acumulado do ano (5,20%) ocupa a nona posição e está acima da média nacional de 3,39%. Com relação ao volume (24.801 empregos), está na terceira posição, atrás de São Paulo e Minas Gerais.

Já a performance fraca do emprego industrial em julho não ficou restrita ao Paraná. Em nível nacional, houve queda de quase 90% no saldo de empregos, passando de 56.027 em julho do ano passado para 6.119 em igual mês este ano. ?Continuamos gerando empregos, mas num ritmo muito menor?, observou o economista do Dieese-PR, Sandro Silva.

Produção industrial

Poucas contratações na indústria de transformação do Paraná são resultado de uma produção menor. Conforme o levantamento do Dieese-PR, a produção industrial caiu 3,01% em julho na comparação com junho e 0,96% na comparação com julho de 2004. ?Depois de 31 meses consecutivos, houve recuo na produção industrial do Paraná, quando se compara com igual mês do ano anterior?, apontou Silva. Segundo o economista, a queda só não foi maior por conta da Petrobras, que no ano passado fez a parada técnica de Araucária, deixando a base enfraquecida.

?Alguns setores que apresentaram desempenho positivo no ano passado, como o da madeira, os fertilizantes e o mobiliário, agora estão com desempenho negativo?, observou Sandro Silva. ?E quem está crescendo, cresce menos do que no ano passado.?

De janeiro a julho, os setores que registraram maior crescimento na produção industrial foram edição, impressão e reprodução de gravações (38,06%), veículos automotores (28,59%) e refino de petróleo e álcool (26,42%). Com queda, aparecem as indústrias de outros produtos químicos (-30,63%) – onde incluem fertilizantes e adubos -, de madeira (-7,11%) e de alimentos (-2,01%).

Desemprego fica estável no País e renda sobe 0,7%

A taxa de desemprego de seis regiões metropolitanas do país ficou estável em 9,4% em agosto, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa se mantém nesse mesmo patamar desde junho. A renda do trabalhador cresceu pelo terceiro mês consecutivo, com alta de 0,7% de julho para agosto, atingindo R$ 973,20. O aumento do poder de compra do trabalhador não foi resultado da melhora do mercado de trabalho e sim efeito do aumento do salário mínimo e da queda da inflação. Na comparação com julho, houve recuperação em Salvador (4,5%), Rio de Janeiro (2,9%) e Porto Alegre (1,1%).

A recuperação da renda foi maior em termos percentuais entre os trabalhadores informais. O rendimento destes trabalhadores cresceu 2,4% e chegou a R$ 643,40, mas eles apresentam remuneração inferior à dos trabalhadores formais. Os empregados com carteira assinada no setor privado tiveram alta de 1,3% no rendimento, que chegou a R$ 990,00. Os trabalhadores por conta própria registraram ganhos de 1,6% e o rendimento subiu para R$ 772,00.

Em relação a agosto do ano passado, o rendimento cresceu 3,7%. Este patamar de crescimento em relação a igual mês do ano anterior representa a maior variação em toda a série da pesquisa.

Segundo Cimar Azeredo, coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego, é possível que a renda volte a cair nos próximos meses com a entrada de trabalhadores temporários, que tradicionalmente apresentam remuneração inferior.

Para Azeredo, o mercado de trabalho ?está em compasso de espera?. A parada no crescimento e a formação de um platô em 9,4% podem ser explicadas pelas incertezas sobre os rumos da economia no futuro, com influências da política monetária e do cenário político.

Um dos sinais de alerta apresentados na pesquisa foi a interrupção do processo de formalização do mercado de trabalho. O número de empregados com carteira de trabalho assinada permaneceu estável na comparação com julho. Em relação a agosto do ano passado, o desempenho permanece positivo com aumento de 6,2%.

Em agosto, o número de pessoas à procura de trabalho permaneceu estável em 2,1 milhões de pessoas na comparação com julho. Em relação a agosto do ano passado houve queda de 17,1%. A população ocupada permaneceu estável em 19,9 milhões de pessoas em relação a julho.

Entre os grupamentos de atividade, o destaque ficou por conta de serviços prestados a empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira, que contrataram 154 mil pessoas, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Esse grupo representa 14,3% da população ocupada.