No primeiro dia da reunião entre Brasil e Argentina, os setores de calçados e móveis cobraram do governo brasileiro uma atitude mais enérgica. Dois meses depois de se comprometerem a limitar suas exportações, os empresários continuam sofrendo com o atraso do sócio do Mercosul para liberar licenças de importação. “Não é possível ficar três meses negociando um acordo; eles não cumprem e fica por isso mesmo. Não volto à Argentina para negociar mais nada”, disse José Luiz Diaz Fernandez, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Móveis (Abimóvel), que esteve em cinco reuniões, três delas em Buenos Aires. O setor concordou em reduzir as exportações em 35% este ano, mas as licenças de importação continuam paradas.

A reunião da comissão de monitoramento do comércio começou ontem e termina hoje em São Paulo. É o quinto encontro este ano, e o clima é de descrença. O setor privado brasileiro acredita que o modelo está esgotado porque os argentinos dificultam as negociação ou não cumprem os acordos fechados. Por conta do mau tempo em Buenos Aires, o voo atrasou e os argentinos chegaram três horas depois do previsto. As reuniões dos setores têxtil e de pneus começaram às 18 horas. Boa parte dos encontros foi adiada para hoje, como os que discutiram celulares, brinquedos, embreagens, baterias e o do comitê automotivo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.