Greve completa oito dias hoje.

O impasse entre bancários e banqueiros continua, e a greve da categoria entra hoje no oitavo dia – sendo o sexto dia útil. Ontem, representantes dos sindicatos dos bancários e da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) estiveram reunidos durante quase duas horas em São Paulo. Não houve avanços na negociação salarial e, no final da tarde, trabalhadores de Belo Horizonte, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro já haviam decidido pela manutenção do movimento.

No Paraná, a greve dos bancários ganhou força ontem, com a adesão de funcionários do interior do Estado. Segundo balanço do Sindicato dos Bancários de Curitiba, 180 agências da capital e outras 159 do interior não abriram as portas ontem, totalizando quase 8 mil bancários de braços cruzados. No cenário nacional, a paralisação também cresceu. Bancários do Piauí, Alagoas, Sergipe, Roraima, Rondônia, Espírito Santo decidiram aderir à paralisação iniciada na quarta-feira da semana passada. Com as novas adesões, a greve já atinge 24 capitais do país.

Em Curitiba, o número de agências fechadas passou de 110 na segunda-feira para 180 na manhã de ontem. À tarde, no entanto, algumas agências tiveram que reabrir as portas, por conta do interdito proibitório ganho pelo HSBC, Bradesco e Itaú. Além do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, a paralisação atinge bancos privados, como o Santander, Unibanco, Safra e Real. Segundo o presidente da Federação dos Bancários de Curitiba, Adílson Stuzata, funcionários dos bancos que ganharam a ação na Justiça devem aderir à “operação tartaruga” como forma de protesto.

No interior do Paraná, ficaram fechadas agências de Londrina (84) – quase 85% do total de agências na cidade -, Apucarana (8), Cornélio Procópio (16), Campo Mourão (11), Guarapuava (11), Paranavaí (17), Umuarama (9) e Toledo (3). Segundo Stuzata, bancários filiados à CGT e não à CUT – caso de Maringá, por exemplo – também estariam dispostos a paralisar as atividades.

No Paraná, o Sindicato dos Bancários ligado à CUT, com cerca de 15 mil bancários, representa quase 70% da categoria. Pelos cálculos da CNB (Confederação Nacional dos Bancários), a greve dos bancários – que têm data-base para reajuste salarial em setembro – mobiliza cerca de 200 mil pessoas no país. Desse total, 25 mil são de São Paulo, Osasco e região. Segundo os sindicatos, praticamente metade da categoria cruzou os braços em todo o País. Representantes dos banqueiros disseram, no entanto, que apenas cerca de 5% da rede bancária foi afetada pelos protestos.

Reivindicações

Os bancários reivindicam 25% de aumento nos salários. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) chegou a oferecer reajuste de 8,5% nos salários e R$ 30 a mais para quem ganha até R$ 1.500. Segundo a CNB-CUT, a Fenaban manteve ontem a proposta inicial de reajuste salarial e não sinalizou a intenção de mudar a oferta. Os bancários querem que a Fenaban apresente uma proposta de reajuste salarial melhor para retornar ao trabalho.

Prazo

O TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho) da 2.ª Região (São Paulo) deu ontem 24 horas de prazo para os representantes dos bancários e dos banqueiros se manifestarem sobre o pedido de liminar feito pela Procuradoria Regional do Trabalho. O Ministério Público do Trabalho de São Paulo pediu ontem para o TRT-SP julgar a greve dos bancários, iniciada na quarta-feira da semana passada.

O MPT quer garantir que 70% dos serviços bancários prestados à população sejam mantidos pelos bancos e pelos funcionários.

Petroleiros vão “cruzar os braços”

Petroleiros do Paraná rejeitaram a contraproposta salarial feita pela Petrobras e devem realizar amanhã um atraso na entrada ao trabalho de duas horas. “A contraproposta veio ontem (terça-feira) e não nos atende”, afirmou o presidente do Sindicato do Petroleiros no Paraná, Anselmo Ruoso Junior. Segundo ele, funcionários que iniciariam o turno amanhã às 7h30 só devem começar a trabalhar às 9h30.

“Esse ato tem dois significados: a campanha salarial e o julgamento da Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) pelo STF, na qual a gente entrou como interessado”, explicou Ruoso, referindo-se à ação impetrada pelo governo do Paraná contra o leilão realizado pela Petrobras. No Estado, há cerca de 900 petroleiros.

A categoria reivindica aumento salarial de 13,21%, referente à inflação e mais 5% de aumento real. A Petrobras, por sua vez, ofereceu 7,82% de reajuste, referente apenas à inflação acumulada no período.

Segundo Ruoso, a categoria não descarta a deflagração de uma greve. “Estamos apenas começando a mobilização. Se não houver avanço na negociação, uma greve deverá ser desencadeada”, avisou o presidente do Sindipetro-PR. A última paralisação aconteceu em setembro do ano passado, quando os funcionários cruzaram os braços durante 24 horas. A campanha salarial dos petroleiros – que têm data-base para reajuste salarial em setembro – envolve 37 mil funcionários da ativa e 60 mil aposentados. (Lyrian Saiki)

Vasp local cancelou quatro vôos

A greve de pilotos, engenheiros de vôo e comissários de bordo da Vasp obrigou centenas de passageiros a voar por outra companhia aérea. Em Curitiba, quatro vôos que partiriam do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, foram cancelados ontem, segundo informação do gerente da Vasp no Afonso Pena, José Carlos Moletta. Ele não soube precisar o número de passageiros atingidos.

De acordo com Moletta, entre os vôos cancelados estavam os que tinham como destino São Paulo, Foz do Iguaçu e Londrina. Também o vôo para Porto Alegre, que partiria de Curitiba ontem, às 23h05, não saiu. O único vôo realizado, mas com atraso, foi o das 15h15, para o Rio de Janeiro. Segundo o gerente da Vasp, os passageiros dos vôos cancelados foram acomodados em aeronaves de outras companhias aéreas.

A greve de 24 horas dos aeronautas da Vasp foi decidida após uma assembléia realizada em São Paulo na segunda-feira. Os funcionários queriam pressionar a empresa a regularizar o pagamento dos salários dos funcionários que ganham acima de R$ 1.500. Cerca de mil aeronautas da companhia participaram do protesto contra o atraso no pagamento dos salários de agosto e o não-pagamento das diárias de alimentação e do FGTS. De acordo com informações do Sindicato Nacional dos Aeronautas, os trabalhadores estão insatisfeitos com a empresa aérea.

Segundo Graziella Baggio, presidente do Sindicato dos Aeronautas, a paralisação foi um sucesso, pois serviu para conscientizar trabalhadores e usuários sobre a grave crise no setor. Segundo ela, os passageiros não foram prejudicados, pois o próprio Departamento de Aviação Civil (DAC) contribuiu para que eles embarcassem em vôos de outras companhias. Grazziela afirmou que hoje, às 12h, haverá uma reunião com a direção da Vasp para discutir os salários em atraso e o cumprimento de cláusulas da convenção coletiva, que a empresa não tem cumprido. A Vasp não reconheceu a greve e não divulgou balanço sobre a paralisação. (Lyrian Saiki e agências)