O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, considerou “positiva e em sintonia com o ajuste rápido e intenso de que o Brasil necessita” a redução de 1 ponto percentual da taxa Selic, conforme anunciada ontem pelo Copom.

Monteiro Neto lembrou que a economia do País continua apresentando sinais desfavoráveis. “O resultado do PIB no primeiro trimestre, divulgado ontem, apesar de melhor do que o esperado pelo mercado, mostra a extensão do forte impacto recessivo que o Brasil sofreu com a crise internacional”, mencionou.

Ele lembrou que o investimento, que é condição necessária para o crescimento sustentável, apresentou queda inédita de dois dígitos (em comparação com o trimestre anterior).

“Os indicadores de produção e emprego da indústria ainda estão longe de apresentar um sinal de recuperação, demonstrando apenas que o ritmo de piora diminuiu”, sentenciou.

Para a Federação do Comércio de São Paulo, a redução de 1 ponto porcentual na taxa Selic está no caminho certo. Segundo o presidente da entidade, empresário Abram Szajman, o governo deve atuar agora em duas linhas de frente: continuar baixando a taxa Selic e criar oportunidades para que os juros para o consumidor também baixem.

A Federação acredita que existe muito espaço para reduzir o spread e consequentemente os juros ao consumidor final, que no primeiro trimestre deste ano estava em média para pessoa jurídica 30% e para pessoa física 53%, sendo que o spread corresponde a cerca de 70% dessas taxas.

“Há espaço para uma redução de pelo menos 25% no spread cobrado atualmente, bastante factível de se conseguir, se houver empenho conjunto de bancos e governo. O compulsório poderia ser reduzido bem como os impostos incidentes sobre as operações financeiras. Do lado dos bancos, há condições para aliviar os custos administrativos e a taxa de risco projetada em ambiente de crise que, no momento, poderia ser revista”, afirma o presidente da Fecomercio/RJ.