Rio

(AE) – O efeito WorldCom atingiu em cheio a Embratel, controlada da empresa americana no Brasil. As ações da Embratel, a quinta maior empresa aberta do País, caíram 25,5% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O vice-presidente financeiro da empresa, José Maria Zubiría, tentou acalmar o mercado, dizendo que controladora e controlada são empresas “financeiramente independentes”. “Acreditamos que o mercado irá diferenciar as informações”, disse, pela manhã. Isto não ocorreu, como mostrou o movimento da Bovespa.

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), José Luiz Osório, disse que está acompanhando de perto os desdobramentos do escândalo contábil da WorldCom, mas até o momento não viu necessidade de exigir a republicação do balanço da operadora brasileira. “Esta decisão só será tomada se for identificado algum problema nos demonstrativos financeiros da companhia no Brasil”, disse.

Fontes de mercado revelaram que a situação da WorldCom e de sua controlada já estava na mira dos órgãos reguladores (SEC, nos EUA, e CVM, no Brasil) há mais de um mês. Zubiría reconheceu que o problema com os balanços da WorldCom trarão impacto maior na companhia brasileira, mas atribuiu este reflexo apenas à “percepção” de risco. “A notícia traz um ceticismo geral para o mercado. Mas somos mais afetados, por sermos controlados pela WorldCom.” O executivo disse que a Embratel não tem empréstimos de sua controladora nem é credora da empresa. Segundo ele, a operadora americana não atua nem como garantidora nas operações da empresa no Brasil.

Zubiría disse, ainda, que a Embratel acredita na “qualidade dos serviços” prestados pela auditoria Arthur Andersen à operadora brasileira. Atualmente, a auditoria é realizada pela Deloitte Touche Tohmatsu, que assumiu as atividades da Arthur Andersen no Brasil. “Não pensamos na possibilidade de alterar a empresa que faz a auditoria.”

Para o ex-presidente da Vésper e consultor-chefe de Telecomunicações da Brisa, Virgílio Freire, a crise da WorldCom sem dúvidas irá continuar afetando a Embratel e poderá provocar desconfiança nos seus clientes corporativos no País. Freire já havia traçado duas saídas para a subsidiária: ser comprada por uma empresa local ou centrar esforços na área corporativa, emitindo sinais claros desta aposta.

O problema, segundo ele, não seria do ponto de vista técnico ou financeiro, porque a empresa trabalha com recursos próprios. Mas estaria ligado à continuidade administrativa. Freire acredita que a Embratel continuaria existindo, mas a crise da controladora deixa dúvidas no ar.