Os desafios da economia nacional ocuparam o centro do debate Perspectivas da economia para 2011: o câmbio e a desindustrialização, promovido, ontem, pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon), em Curitiba.

O especialistas convidados foram unânimes em avaliar que o câmbio deverá ser mantido em patamares semelhantes aos praticados hoje, já que ele segue como um dos principais instrumentos do governo para segurar a inflação.

Como se não bastassem os reflexos negativos sobre diversos setores, especialmente para as indústrias madeireiras e moveleiras do Paraná, tal medida já vem impactando no saldo da balança comercial.

Tanto que, para 2011, a expectativa é de que o saldo feche em zero ou com números negativos. “Estamos consumindo mais do que produzimos e as nossas taxas de importação favorecem a compra de importados. Na prática, além de perder mercado lá fora e nos desindustrializarmos devido ao câmbio inviável para alguns setores, estamos financiando o crescimento de outros países com a ampliação do crédito. Soma-se a tudo isso, o crescimento dos gastos públicos. Temos todos os componentes desfavoráveis à composição de um saldo positivo na Balança Comercial no próximo ano”, apontou o economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), Roberto Peredo Zürcher.

“O próprio superávit primário deste ano, mesmo maquiado, ficará abaixo da meta de 3,3% do PIB por conta desse cenário”, reforçou o economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Luciano Nakabashi. “O Brasil só não acumulou déficits sucessivos na balança comercial nos últimos anos devido às divisas provenientes das commodities agrícolas. Aliás, o saldo da balança comercial do agronegócio brasileiro sempre foi superior ao saldo total da balança comercial brasileira”, comparou o agrônomo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e mestre em economia, Eugênio Estefanelo. “É importante observar que o agronegócio só tem conseguido isso, graças à valorização das cotações internacionais dos principais produtos agrícolas de nossa pauta de exportação, do contrário, o câmbio também teria inviabilizado nossa produção”, ressalva Estefanelo.

De acordo com dados mostrados no debate, enquanto a massa salarial dos brasileiros cresceu 160% de janeiro de 2002 a outubro de 2010 no Brasil, o crescimento do crédito foi de 700% para o mesmo período.

Para completar, os prazos para quitação dos financiamentos também expandiram em 500% no mesmo intervalo analisado. “Estamos longe de uma bolha porque o crédito em nosso País corresponde a 47% do PIB, mas é claro que não se pode perpetuar por anos essa proporção de crédito maior do que a renda”, avaliou o conselheiro do Corecon, Carlos Magno Bittencourt.